<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[um certo tanto, por catita silva: comenta, catita, comenta]]></title><description><![CDATA[uma seção pra falar de cultura, comportamento, influência, conteúdo, comunicação e marketing. cheia de repertório e histórias. um lugar pra gerar conversas.]]></description><link>https://catita.substack.com/s/comenta-catita-comenta</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!cEpq!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F66720248-a04f-45bf-89ac-7efe0f3c6840_1280x1280.png</url><title>um certo tanto, por catita silva: comenta, catita, comenta</title><link>https://catita.substack.com/s/comenta-catita-comenta</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Fri, 21 Aug 2026 06:14:15 GMT</lastBuildDate><atom:link href="https://catita.substack.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[catita silva]]></copyright><language><![CDATA[pt-br]]></language><webMaster><![CDATA[catita@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[catita@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[catita silva]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[catita silva]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[catita@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[catita@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[catita silva]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[#85 teoria kodak]]></title><description><![CDATA[comenta, catita, comenta #10]]></description><link>https://catita.substack.com/p/85-teoria-kodak</link><guid isPermaLink="false">https://catita.substack.com/p/85-teoria-kodak</guid><dc:creator><![CDATA[catita silva]]></dc:creator><pubDate>Thu, 23 Jul 2026 17:14:07 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/3d12ae08-8410-4b09-902d-64694b625e71_6000x4000.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>tem uma conjectura que fa&#231;o h&#225; anos e que cunhei como &#8220;teoria kodak&#8221;, que volta e meia se aplica nas observa&#231;&#245;es que fa&#231;o sobre marcas, <code>sobretudo pessoais</code>, de algumas pessoas como, por exemplo, aqueles profissionais que chegaram antes, que foram pioneiros, nadaram de bra&#231;ada no tal <a href="https://link.amazon/B048R5oSC"><mark data-color="#a4c2f4" style="background-color: rgb(164, 194, 244); color: rgb(0, 0, 0);">oceano azul</mark></a> e conquistaram relev&#226;ncia, conquistaram uma posi&#231;&#227;o de refer&#234;ncia, de reconhecimento no mercado, nas suas &#225;reas de atua&#231;&#227;o. eles, de fato, t&#234;m m&#233;rito, t&#234;m um grande valor, porque abriram caminho para novas &#225;reas de conhecimento ou para que outras pessoas se desenvolvessem em torno de &#225;reas diferentes. gente que, em algum momento, trouxe um pensamento inovador para o mercado.</p><p>s&#243; que - e da&#237; vem minha teoria - a kodak, nos anos 90, quando as c&#226;meras digitais se popularizaram e foram se desenvolvendo, no mercado em que ela j&#225; era l&#237;der, ficou muito confort&#225;vel e n&#227;o avan&#231;ou. ela parou de pesquisar e inovar porque confiou na reputa&#231;&#227;o de marca que tinha. e a&#237;, em determinado momento, quando ela percebeu, quando ela se deu por conta, ela estava em fal&#234;ncia. estava esquecida no mercado. as novas gera&#231;&#245;es, at&#233; pouqu&#237;ssimo tempo, nunca tinham nem ouvido falar de kodak. chegaram outras marcas, outras empresas e outros nomes e come&#231;aram a promover a inova&#231;&#227;o desse mercado. um pensamento novo dentro de um mercado que aquela marca tinha, claro, ajudado a desbravar. hoje, a kodak voltou como fornecedora do mercado corporativo, mas tamb&#233;m com um arranjo vintage porque est&#225; exatamente dentro dessa macrotend&#234;ncia de nostalgia. <code>eu mesma comprei uma kodak anal&#243;gica que anda comigo na bolsa por a&#237;.</code></p><div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/09ef9687-2063-40a7-ae5e-7b0a203f5f81_1365x2048.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/720980c7-a1cc-4fd2-85b1-e33150e8e43e_1365x2048.jpeg&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;fotos: @oalbumdaana&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/f8f2769b-9d25-4992-8cb2-7c9181bda89d_1456x720.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p>e assim acontece tamb&#233;m com alguns profissionais de marcas, marketing, publicidade, da comunica&#231;&#227;o, do branding, do jornalismo. profissionais que desbravaram o caminho, que foram relevantes, que s&#227;o importantes dentro de um marco hist&#243;rico desses segmentos, dessas &#225;reas, que inspiraram uma <em>galerona</em> nova. e essa <em>galerona</em> superou. se por um lado &#233; muito legal ver quando uma nova gera&#231;&#227;o supera os seus &#237;dolos ou as suas refer&#234;ncias, &#233; tamb&#233;m um pouco triste ver quando essa supera&#231;&#227;o se d&#225; porque as refer&#234;ncias ficaram no mais do mesmo. <code>falo de gente viva!</code> essas refer&#234;ncias confiaram tanto nesse lugar de inova&#231;&#227;o e de autoridade que j&#225; tinham conquistado, que acharam que n&#227;o precisavam mais se atualizar, n&#227;o precisavam mais estudar, n&#227;o precisavam trazer nada de novo.</p><p>&#224;s vezes, vejo gente que eu gosto muito de ler, de escutar, que me formou e que est&#225; ativa, <code>felizmente</code>, contempor&#226;nea, que me ajudou a deslocar o olhar para a textura, a inova&#231;&#227;o e para as frestas, mas que agora, est&#225; parada no tempo. essas pessoas se tornaram s&#243; mais um produto do marketing e para o marketing - <code>com dinheiro</code> - consumir. e tamb&#233;m n&#227;o &#233; mais um consumo pela novidade, pela disrup&#231;&#227;o, pelo aprendizado; &#233; um consumo mais atrelado &#224; reputa&#231;&#227;o, ao pertencimento e &#224; diferencia&#231;&#227;o (oi, simmel; oi, bourdieu.), porque custa caro - <code>3600 reais por uma experi&#234;ncia de algumas horas</code>.</p><p>&#233; uma l&#225;stima ver esse movimento em profissionais que s&#227;o muito relevantes. <code>quer dizer, l&#225;stima pra mim, porque eles continuam ganhando bastante dinheiro em cima da reputa&#231;&#227;o que j&#225; constru&#237;ram</code>. <code>justo</code>. mas ser&#225; que essas pessoas est&#227;o levando coisas novas, pensamento novo para salas, para as consultorias, para outro lugar? porque o que elas t&#234;m falado, reverberado publicamente, &#224;s vezes me mostra um certo conservadorismo, certa pregui&#231;a em continuar buscando essa inova&#231;&#227;o que trouxe essa pessoa at&#233; aqui.</p><p>eu fico com sentimentos d&#250;bios. respeito suas trajet&#243;rias, mas tenho vontade de dizer: &#8220;voc&#234; t&#225; virando a kodak, meu amigo. voc&#234; vai voltar depois como uma rel&#237;quia vintage. mas relev&#226;ncia mesmo, eu n&#227;o sei.&#8221;</p><p>sei l&#225;, que a vida nunca me tire as ganas de estudar.</p><div><hr></div><h5>essa edi&#231;&#227;o da newsletter nasceu de um &#225;udio que eu mandei pra mim mesma no whatsapp hoje de manh&#227; enquanto conversava com uma amiga sobre uma &#8220;pessoa kodak". vou deixar ele aqui com as ideias saindo meio sem filtro da minha cabe&#231;a. <code>uma amostra do meu processo de escrita.</code></h5><div class="native-audio-embed" data-component-name="AudioPlaceholder" data-attrs="{&quot;label&quot;:null,&quot;mediaUploadId&quot;:&quot;407af3f2-99ef-4bbb-96ed-c75bf7074c60&quot;,&quot;duration&quot;:378.48816,&quot;downloadable&quot;:false,&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><div><hr></div><h5>deixo tamb&#233;m aqui embaixo alguns links que provam que as fontes da &#8220;teoria kodak&#8221; n&#227;o s&#227;o as vozes da minha cabe&#231;a <code>hahaha</code> divirtam-se:</h5><h6><a href="https://www.bloomberg.com/news/articles/2012-01-19/kodak-photography-pioneer-files-for-bankruptcy-protection-1-">kodak files for bankruptcy as digital eras spells end to film</a> </h6><h6><a href="https://www.latimes.com/business/la-xpm-2012-jan-20-la-fi-kodak-bankrupt-20120120-story.html">kodak files for long-expected chapter 11 bankruptcy</a></h6><h6><a href="https://www.theguardian.com/business/2012/jan/19/kodak-bankruptcy-protection">kodak falls in the &#8216;creative destruction of the digital age&#8217;</a></h6><h6><a href="https://www.bbc.com/news/business-23952800">transformed kodak emerges from bankruptcy</a></h6><h6><a href="https://www.reuters.com/article/business/kodak-emerges-from-bankruptcy-with-focus-on-commercial-printing-idUSBRE982134/">kodak emerges from bankruptcy with focus on commercial printing</a></h6><h6><a href="https://www.financierworldwide.com/eastman-kodak-finally-exits-bankruptcy">eastman kodak finally exits bankruptcy</a></h6><h6><a href="https://investor.kodak.com/static-files/6a07f533-e520-403a-9e8d-2b3e356f7a49">eastman kodak company</a> (fonte: pr&#243;pria kodak em documento para investidores)</h6><h6><a href="https://5quadrants.com/risk/kodak-chapter-11-bankruptcy/">kodak chapter 11 bankruptcy</a></h6>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#84 conceitos que não nasceram ontem: lendo o agora com um pouco de teoria]]></title><description><![CDATA[comenta, catita, comenta #9]]></description><link>https://catita.substack.com/p/84-conceitos-que-nao-nasceram-ontem</link><guid isPermaLink="false">https://catita.substack.com/p/84-conceitos-que-nao-nasceram-ontem</guid><dc:creator><![CDATA[catita silva]]></dc:creator><pubDate>Thu, 16 Jul 2026 00:00:59 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!B9MG!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6eb582d3-0ddb-44d6-bfe7-5b4f8c773d11_4600x3071.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>tem uma coisa curiosa e recorrente na hist&#243;ria: quanto mais o tempo acelera, mais a gente come&#231;a a se agarrar em tudo o que n&#227;o nasceu ontem.</p><p>r&#225;dio, vinil, revistas impressas, colecion&#225;veis - todo um invent&#225;rio bonitinho de objetos vintage conquistando a gera&#231;&#227;o z - v&#227;o formando um mapa de como certas formas mais antigas de m&#237;dia e consumo est&#227;o sendo reeditadas como respostas muito atuais para ansiedade, hiperconex&#227;o, desejo de pertencimento e vontade de se diferenciar.</p><p>da&#237; a gente olha mais de perto e n&#227;o &#233; s&#243; saudade de algo que ficou para tr&#225;s (ou sequer se viveu, como explica a marina roale <a href="https://open.spotify.com/episode/4Bgn13eq2DNpzITGmggU1H?si=1718943008d840aa">nesse epis&#243;dio do caoscast</a>), nem um capricho est&#233;tico de feed. &#233; a velha sociologia e seus estudos culturais sussurrando por tr&#225;s de cada bugiganga anal&#243;gica garimpada na benedito calixto ou revista guardada como objeto de colecionador.</p><div class="callout-block" data-callout="true"><p>mas e se essas grandes tend&#234;ncias de comportamento que hoje aparecem embaladas como trend, nicho, hype, j&#225; estivessem dadas em conceitos que a sociologia, a filosofia e as ci&#234;ncias humanas v&#234;m lapidando h&#225; d&#233;cadas, &#224;s vezes s&#233;culos?</p></div><p>porque pertencimento e diferencia&#231;&#227;o, tribos, nostalgia, economia da aten&#231;&#227;o, poder da palavra, multiculturalidade, intelectualidade &#8211; nada disso surgiu com o tiktok ou com o seu relat&#243;rio de tend&#234;ncias favorito da temporada. obviamente mudou a forma como esses conceitos aparecem, ganham nome, imagem, produto e, claro, verba de marketing.</p><h3>performance, fantasia e sobreviv&#234;ncia</h3><p>da&#237; voc&#234; l&#234; <a href="https://forbes.com.br/forbes-mkt/2026/05/classicos-em-alta-radio-vinil-revistas-e-colecionaveis-conquistam-a-genz/">essa reportagem</a> e o tom &#233; de encantamento com jovens que cresceram no streaming descobrindo a gra&#231;a de girar um dial, folhear umas p&#225;ginas impressas, colecionar miniaturas e capas de disco. hahaha n&#227;o aguento<br><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/musica/saudade-do-que-a-gente-nao-viveu-o-que-explica-a-nostalgia-da-geracao-z-pelo-vinil/">tudo</a> &#233; quase sempre com esse misto de encanto est&#233;tico e vontade de experimentar um tal tempo (n&#227;o mensur&#225;vel) percebido como mais simples.</p><p>o recorte &#233; interessante, mas se a gente para a&#237; fica no n&#237;vel dos costumes: &#8220;olha que curioso, jovens gostam de coisa antiga&#8221;. &#233; um olhar simp&#225;tico, mas curto.</p><p>fred davis escreveu <a href="https://www.scribd.com/doc/149472218/Davis-Fred-Nostalgia">nesse artigo sobre nostalgia em 1977</a>, que &#8220;a nostalgia &#233; uma experi&#234;ncia que sempre envolve um passado reconstru&#237;do, visto sob uma luz mais bonita, para responder a medos, ansiedades e descontinuidades do presente&#8221;.</p><p>quando a gera&#231;&#227;o z se cerca de vinis, c&#226;meras kodak e revistas, muitas vezes n&#227;o est&#225; fugindo da modernidade, est&#225; &#233; construindo um jeito suport&#225;vel de habitar um tempo em que tudo &#233; notifica&#231;&#227;o, feed, acelera&#231;&#227;o, instabilidade, e em que falta qualquer sensa&#231;&#227;o de ch&#227;o est&#225;vel.</p><h3>pertencimento, diferencia&#231;&#227;o e tribos como conceitos pra analisar esse bolol&#244;</h3><p>simmel j&#225; dizia, no come&#231;o do s&#233;culo passado, que a vida social &#233; sempre um jogo tenso entre a vontade de pertencer e a necessidade de se diferenciar.<br>quando algu&#233;m de vinte e poucos anos decide entrar numa loja de discos ou assinar uma revista impressa, est&#225; escolhendo sinais de grupo e c&#243;digos que informam de que mundo fazem parte, mesmo que ningu&#233;m admita isso em voz alta.</p><p>&#233; a&#237; que bourdieu entra, nos lembrando que o gosto n&#227;o &#233; inocente e nunca foi. o vinil &#233; uma linguagem de capital cultural &#8211; quem conhece capas, selos, prensagens, edi&#231;&#245;es raras, quem circula pela loja f&#237;sica, pelo sebo, pela feira?<br>a revista impressa &#233; mais um &#237;ndice de repert&#243;rio mensurado pelo t&#237;tulo que voc&#234; assina, o tipo de cr&#237;tica que l&#234;, as colunas que acompanha, tudo isso vai desenhando um mapa de classe, de estilo e de pertencimento simb&#243;lico, principalmente numa gera&#231;&#227;o que cresceu com o algoritmo servindo conte&#250;do &#8220;for you&#8221; o tempo todo.</p><p>maffesoli nomeia essas tribos - que n&#227;o s&#227;o clubes formais com carteirinha e tudo - como comunidades emocionais que se reconhecem em rituais, micro&#8209;est&#233;ticas, g&#237;rias e determinadas pr&#225;ticas.<br>e nesses detalhes o comportamento ganha densidade e se torna uma costura fininha entre o desejo de v&#237;nculo, a vontade de se ver em algo mais espesso do que um feed e esse impulso constante de se distinguir.</p><h3>a nostalgia &#233; uma ferramenta de identidade</h3><p>no seu artigo sobre nostalgia e identidade, fred davis insiste em algo que deveria estar colado com post-it na frente de quem comenta comportamento hoje: nostalgia sempre fala mais do presente do que do passado.<br>&#233; o presente que evoca, recorta e reencena certos peda&#231;os de um &#8220;antes&#8221; &#8211; vivido ou n&#227;o &#8211; para tentar responder a amea&#231;as de descontinuidade, crises de sentido e medos difusos sobre o futuro, coisas que a consumoteca tamb&#233;m identificou <a href="https://grupoconsumoteca.com.br/adultopia/">nesse estudo sobre a vida adulta</a>. a &#8220;falsa nostalgia&#8221;, na verdade, &#233; um uso criativo de imagens do passado para estabilizar quem se &#233; num tempo em que tudo &#233; fluido demais.</p><p>n&#227;o &#233; &#224; toa que tantos estudos recentes conectam nostalgia com sa&#250;de mental na gera&#231;&#227;o z. jovens dizendo que preferem hobbies anal&#243;gicos, encontros f&#237;sicos, objetos com <strong>textura</strong>, justamente porque isso oferece al&#237;vio de uma rotina controlada por telas, algoritmos e desempenho. &#233; um recurso que essa gera&#231;&#227;o est&#225; usando para negociar com ansiedade, incerteza e um sentimento persistente de que nada &#233; s&#243;lido o suficiente para durar. e eu acho que a gente tem uma baita responsa nisso<s>, mas isso &#233; papo para uma edi&#231;&#227;o sobre autorresponsabilidade</s>.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!B9MG!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6eb582d3-0ddb-44d6-bfe7-5b4f8c773d11_4600x3071.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">foto: <a href="https://www.instagram.com/Kseniachernaya">ksenia chernaya</a></figcaption></figure></div><p>nos anos 70, <a href="https://atelierdesfuturs.org/wp-content/uploads/2025/07/1971-simon.pdf">herbert simon escreveu neste ensaio</a> que num mundo rico em informa&#231;&#227;o o recurso verdadeiramente escasso deixaria de ser dado e passaria a ser a aten&#231;&#227;o. nos anos 70.<br>quem j&#225; fez meu workshop do <a href="https://catita.substack.com/p/criei-um-laboratorio-de-narrativas">laborat&#243;rio de narrativas</a> sabe que a primeira coisa que eu falo &#233; sobre isso. segundo ele, cada novo fluxo de informa&#231;&#227;o consome tempo, foco, energia cognitiva e, com isso, o desafio central de qualquer pessoa, organiza&#231;&#227;o ou sociedade passa a ser: </p><div class="callout-block" data-callout="true"><p>como &#233; que a gente distribui essa aten&#231;&#227;o limitada em meio a uma superabund&#226;ncia de est&#237;mulos?</p></div><p>quando voc&#234; coloca r&#225;dio, vinil e revistas nessa mesma equa&#231;&#227;o, eles se tornam tecnologias de foco: um programa de r&#225;dio que acontece numa faixa hor&#225;ria e te convida a estar ali; um &#225;lbum que pede ser ouvido na ordem; uma revista que te obriga a folhear p&#225;ginas num ritmo linear, sem abas pulando na frente. num ambiente em que tudo &#233; notific&#225;vel, essas formas mais antigas definem dura&#231;&#227;o, criam borda, pedem um tipo de aten&#231;&#227;o menos fragmentada e, por isso mesmo, viram ant&#237;doto contra o excesso de tela &#8211; pelo menos por alguns minutos.</p><p>da&#237; a gente convoca o foucault pra lembrar que n&#227;o existe nada neutro e que todo ambiente de comunica&#231;&#227;o est&#225; atravessado por rela&#231;&#245;es de poder, por regimes de verdade e disputas sobre quem pode falar e ser ouvido.<br>quando grandes marcas voltam a investir em r&#225;dio, revistas e outros espa&#231;os de suposta alta credibilidade, &#233; uma aposta em determinados modos de legitimar discursos e construir confian&#231;a.<br>e quando uma gera&#231;&#227;o escolhe esses mesmos ambientes para se informar, entreter ou colecionar, tamb&#233;m est&#225; falando sobre desconfian&#231;a em rela&#231;&#227;o ao ru&#237;do das redes, cansa&#231;o de publicidade disfar&#231;ada de conte&#250;do e desejo de filtros mais claros sobre as coisas.</p><h3>e para onde mais olhar?</h3><p>uma pergunta t&#225; martelando h&#225; certo tempo na minha cabe&#231;a:</p><div class="callout-block" data-callout="true"><p>que outros sinais do presente est&#227;o operando a mesma l&#243;gica de retorno a pr&#225;ticas nost&#225;lgicas para responder &#224;s tens&#245;es de agora?</p></div><p>os clubes de leitura que investem em encontros offline; as oficinas de bordado e cer&#226;mica lotadas de gente jovem; a volta dos saraus (eu amava!); os clubes de cinema em pequenas salas; as feirinhas de pequenos expositores que misturam arte, moda, zine (a pr&#243;pria volta dos zines) e comida.<br>pode ser o aumento de livros f&#237;sicos em determinadas faixas et&#225;rias, mesmo com tudo dispon&#237;vel em pdf; ou o crescimento de eventos que juntam m&#250;sica, conversas longas e rituais de escuta que n&#227;o cabem na l&#243;gica de fracionar tudo em cortes para o tiktok.</p><p>o ponto &#233; que, se a gente continuar enquadrando tudo como trend e se contentando com explica&#231;&#245;es ligeiras e simplistas como &#8220;porque a gera&#231;&#227;o z &#233; assim, assado&#8221;, vai perder justamente a chance de conectar esses comportamentos a um repert&#243;rio de conceitos que n&#227;o nasceram ontem, mas que est&#227;o dispon&#237;veis para nos ajudar a ler esse agora. </p><p>al&#233;m dos artigos j&#225; linkados no texto, citei aqui: <a href="https://link.amazon/B0er51BuU">pierre bourdieu</a>, <a href="https://link.amazon/B091pw7dG">michel maffesoli</a>, <a href="https://link.amazon/B02AqnU6i">georg simmel</a> e <a href="https://link.amazon/B0fQk1Dz2">michel foucault</a>.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#77 reflexões sobre oralidade - a conversa da vez, anote.]]></title><description><![CDATA[comenta, catita, comenta #8]]></description><link>https://catita.substack.com/p/77-reflexoes-sobre-oralidade-a-conversa</link><guid isPermaLink="false">https://catita.substack.com/p/77-reflexoes-sobre-oralidade-a-conversa</guid><dc:creator><![CDATA[catita silva]]></dc:creator><pubDate>Sun, 31 May 2026 21:39:18 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!x9yO!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F276b1b08-c8d7-466b-adf8-eac0aa921ac2_1170x700.webp" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>tenho fritado em reflex&#245;es sobre a <strong>oralidade</strong> desde que li, em poucos dias o <a href="https://samkriss.substack.com/p/reading-is-magic">sam kriss</a> e a <a href="https://www.woman-of-letters.com/p/orality-and-literacy">naomi kanakia</a>, nas suas respectivas newsletters, falando sobre o mesmo tema, a partir de <strong>walter ong</strong> que, ao que parece, &#233; o te&#243;rico ressuscitado da vez pra explicar quest&#245;es atuais. pra situar: ong &#233; quem cunhou a separa&#231;&#227;o que acabou virando refer&#234;ncia - <em>culturas orais</em>, <em>culturas letradas</em>, <em>oralidade prim&#225;ria</em> e <em>oralidade secund&#225;ria</em> - e o jeito como cada forma de lidar com a palavra reorganiza a consci&#234;ncia. ele faz isso no ensaio &#8220;oralidade e cultura escrita: a tecnologiza&#231;&#227;o da palavra", lan&#231;ado por aqui em 1998, pela papirus. baixei o pdf do artigo numa vers&#227;o cl&#225;ssica da gambiarra <em>digitaliza&#231;&#227;o de xerox</em>. n&#227;o salvei o link, mas posso enviar o texto pra quem quiser.</p><p>naomi, no seu texto, come&#231;a querendo entender a internet hoje, o tiktok, o discurso online, e utiliza ong como lente: sociedades que vivem s&#243; de fala, sem escrita, precisam tornar o conhecimento memoriz&#225;vel, repetitivo, concreto, muito ligado &#224; experi&#234;ncia, ao conflito e &#224; performance coletiva. a escrita, nessa perspectiva, abre espa&#231;o para o distanciamento, a an&#225;lise e a abstra&#231;&#227;o.</p><p>at&#233; aqui, ela acompanha o argumento, mas percebe a inclina&#231;&#227;o hier&#225;rquica do autor: ao mesmo tempo em que ong insiste que a oralidade n&#227;o &#233; um est&#225;gio inferior, ele associa leitura e escrita a um &#8220;pleno potencial&#8221; da consci&#234;ncia que culturas orais n&#227;o alcan&#231;ariam. esse movimento fica mais vis&#237;vel quando ele se apoia nos famosos experimentos de <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Alexander_Luria">alexander luria</a> com camponeses no uzbequist&#227;o para sugerir uma esp&#233;cie de incapacidade cognitiva ligada &#224; aus&#234;ncia de alfabetiza&#231;&#227;o, enquanto naomi l&#234; ali mais um descompasso cultural e pol&#237;tico com a hip&#243;tese do pesquisador.</p><p>no seu artigo, sam kriss, ao olhar para o presente, descreve uma &#8220;segunda condi&#231;&#227;o camponesa&#8221;: <strong>menos leitura profunda, mais vida intelectual costurada por fluxos audiovisuais, streamers, timelines &#8212; uma experi&#234;ncia imediata mediada por telas, n&#227;o pelo mundo f&#237;sico</strong>. e para entender os streamers que falam horas em live, repetindo f&#243;rmulas, girando sempre na mesma constela&#231;&#227;o de temas e inimigos, ele retorna a ong e &#224; psicodin&#226;mica da oralidade que se apoia em redund&#226;ncia, f&#243;rmulas e narrativas para manter falante e ouvinte na mesma trilha.</p><p>pronto, essas duas leituras j&#225; tinham me aberto algumas perguntas, e uma em especial - voc&#234; vai ver que eu volto a ela muitas vezes nesse texto: </p><div class="callout-block" data-callout="true"><p><strong>se h&#225; um retorno das formas de oralidade, qual &#233; a qualidade dessa oralidade e o que ela faz com a nossa possibilidade de imaginar outros mundos?</strong> </p></div><p>foi quando eu entendi que tamb&#233;m precisava ler walter ong.</p><p>ong parte de que linguagem, antes de qualquer coisa, &#233; som articulado; a escrita vem depois, como tecnologia que fixa a palavra no espa&#231;o e torna o discurso objeto de releitura, compara&#231;&#227;o e an&#225;lise. culturas de oralidade prim&#225;ria, sem contato com escrita ou impress&#227;o, precisam organizar o saber para caber na mem&#243;ria: <strong>f&#243;rmulas repetidas, prov&#233;rbios, genealogias e narrativas rituais</strong> que s&#227;o refrescadas a cada performance. pensemos aqui, pra ficar mais tang&#237;vel, no jeito de contar hist&#243;rias dos nossos av&#243;s.</p><p>da&#237; surge o campo que ele chama de <strong>psicodin&#226;mica da oralidade</strong>: um modo de pensar mais aditivo, redundante, mais ligado ao concreto, &#224; a&#231;&#227;o e a oposi&#231;&#245;es fortes, e menos a classifica&#231;&#245;es abstratas ou listas. a escrita, especialmente aliada &#224; impress&#227;o tipogr&#225;fica, permite outros movimentos: deslocar a mente da situa&#231;&#227;o imediata, trabalhar com estruturas l&#243;gicas, arquivos, textos que se mant&#234;m id&#234;nticos no tempo e podem ser retomados em sil&#234;ncio, mesmo que com outros significados atribu&#237;dos. e um exemplo claro &#233; esse texto que voc&#234; l&#234;, em que eu mesma fui me apoiar em walter ong.</p><p><code>mesmo assim, a oralidade continua.</code></p><p>quando ele fala em oralidade secund&#225;ria, inclui r&#225;dio, telefone, televis&#227;o e depois m&#237;dia eletr&#244;nica como formas de fala mediadas por tecnologias que dependem de escrita, mas que devolvem centralidade &#224; voz, &#224; presen&#231;a, ao &#8220;agora&#8221; compartilhado. e na pr&#225;tica, essa descri&#231;&#227;o encaixa bem com o que hoje enxergamos em podcasts, lives, v&#237;deos curtos, chamadas de voz e todas as camadas de &#225;udio que atravessam a internet. pense nos gurus da internet. mas vamos j&#225; ignor&#225;-los porque a conversa hoje tem coisas mais interessantes pra considerar.</p><p>o <strong><a href="https://www.cluetrain.com/portuguese/#manifesto">cluetrain manifesto</a></strong>, sobre o qual falo incansavelmente desde 2010, defende a ideia de que mercados s&#227;o conversas, compostas por seres humanos que falam em voz humana. essas conversas, dizem as suas teses, usam linguagem natural, aberta, direta; n&#227;o soam como miss&#227;o corporativa nem como atendimento autom&#225;tico. a internet, &#224; &#233;poca do lan&#231;amento do cluetrain, n&#227;o era esse canal de m&#237;dia e publicidade exaustivas que vivemos hoje, mas a promessa de ambiente em que pessoas trocariam conhecimento em alta velocidade, se organizariam e <strong>se reconheceriam mutuamente pela forma como falam</strong>. </p><p>embaixo das camadas de texto, imagem e c&#243;digo bin&#225;rio, a internet amplifica vozes, modos de fala e formas de presen&#231;a. quando eu retorno ao cluetrain nas estrat&#233;gias que entrego, para defender que tecnologias &#8220;podem emular, mas n&#227;o substituir a voz humana&#8221;, &#233; esse reconhecimento de que rela&#231;&#245;es, confian&#231;a, conflito e imagina&#231;&#227;o de futuro acontecem essencialmente no campo oral, mesmo quando seu suporte &#233; escrito ou digital.</p><p>depois de ler walter ong, fui para a <a href="https://saopauloinnovationweek.com.br/">s&#227;o paulo innovation week</a>, que aconteceu h&#225; pouco mais de duas semanas aqui no pacaembu, e conectei imediatamente algumas falas que assisti &#224; oralidade - mesmo quando vertidas em livros, maior materialidade poss&#237;vel da cultura letrada.</p><p>jos&#233; eduardo agualusa, no <em>palco palavra</em>, que foi cen&#225;rio de conversas incr&#237;veis entre a inova&#231;&#227;o e a literatura, falou sobre &#8220;personagens que ele recebe e acompanha, em vez de dirigir&#8221;, e de como &#8220;cada leitor comp&#245;e o pr&#243;prio livro a partir do texto&#8221;. isso lembra a narrativa oral em que cada conta&#231;&#227;o &#233; um arranjo espec&#237;fico. ainda que as f&#243;rmulas e estruturas de base se repitam, h&#225; sempre um espa&#231;o de varia&#231;&#227;o, de coautoria. veronica stigger, h&#225; muitos anos, em um dos primeiros cursos de escrita que fiz, afirmou algo que n&#227;o esque&#231;o nunca quando come&#231;o um texto: <strong>&#8220;&#233; preciso deixar lacunas pro leitor preencher"</strong>.</p><p>nesse mesmo palco, a ana maria gon&#231;alves contou que escreveu &#8220;um defeito de cor&#8221; porque n&#227;o encontrou o livro que queria ler sobre a hist&#243;ria do brasil a partir da experi&#234;ncia de uma mulher negra escravizada. pra isso, reescreveu o texto muitas vezes, com muita inten&#231;&#227;o. e ela observou, nessa mesma fala, que aprendemos muito mais sobre a hist&#243;ria do brasil nos desfiles de escolas de samba do que na escola formal. <strong>o desfile &#233; uma forma de oralidade coreografada e intencional que guarda e reinventa narrativas hist&#243;ricas</strong>.</p><p>a ideia de &#8220;fabula&#231;&#227;o cr&#237;tica&#8221;, que ela provoca, nomeia esse gesto de usar a imagina&#231;&#227;o para preencher os buracos do arquivo oficial com hist&#243;rias que poderiam ter sido documentadas, mas n&#227;o foram.<br>a oralidade tanto antecede a escrita quanto &#233; reconstitu&#237;da por ela. o livro devolve voz a quem foi silenciado, e essa voz volta a circular em conversas, debates, leituras coletivas. eu te amo, <span class="mention-wrap" data-attrs="{&quot;name&quot;:&quot;clubinho do livro&quot;,&quot;id&quot;:6135711,&quot;type&quot;:&quot;pub&quot;,&quot;url&quot;:&quot;https://open.substack.com/pub/clubinhodolivro&quot;,&quot;photo_url&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/a22e853a-1d2b-4cec-b860-afa900e9f284_500x500.png&quot;,&quot;uuid&quot;:&quot;af00845e-4a8a-45cd-9c27-5141714bc87b&quot;}" data-component-name="MentionToDOM"></span>. te amo.</p><p>ailton krenak ampliou essa perspectiva no painel &#8220;o que &#233; a realidade? ci&#234;ncia, espiritualidade e sabedoria ancestral em di&#225;logo", que ele dividiu com a monja coen e o <s>meu crush de adolesc&#234;ncia</s> f&#237;sico marcelo gleiser.</p><p>quando ele retoma ao &#8220;<a href="https://amzn.to/3REmQkm">ponto azul</a>&#8221; de carl sagan e fala em futuro ancestral, ele nos convida a pensar a terra como um corpo &#250;nico, onde prejudicar o planeta &#233;, no limite, ferir a si mesmo. essa &#233;tica de pertencimento tamb&#233;m aparece como uma forma de oralidade, onde cosmologia, pol&#237;tica e experi&#234;ncia cotidiana se vinculam como um modo de sustentar v&#237;nculos entre seres e tempos diferentes.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!x9yO!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F276b1b08-c8d7-466b-adf8-eac0aa921ac2_1170x700.webp" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" 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casa&#8221;.</figcaption></figure></div><p>marcelo gleiser, no mesmo painel, afirmou que a mente humana &#233; a tecnologia mais sofisticada que temos e a partir da qual todas as outras s&#227;o c&#243;pias parciais. enquanto a aten&#231;&#227;o se concentra em novos dispositivos e em promessas de <em>transumanismo</em>, a neuroci&#234;ncia e a filosofia da mente lembram que &#233; esse &#8220;hardware&#8221; biol&#243;gico que permite linguagem, consci&#234;ncia, narrativa e imagina&#231;&#227;o.</p><p>e a oralidade &#233; o modo de opera&#231;&#227;o dessa mente. conversa, medita&#231;&#227;o guiada, discuss&#227;o p&#250;blica, narrativas ancestrais, debates t&#233;cnicos, tudo isso &#233; a mente se organizando em voz, corpo e escuta. a escrita, a leitura profunda, as imagens digitais e agora os modelos de linguagem artificiais reorganizam esse fluxo, &#224;s vezes ampliando a capacidade de imaginar, &#224;s vezes restringindo o horizonte ao que est&#225; imediatamente diante de n&#243;s.</p><p>&#233; essa restri&#231;&#227;o que, quando sam kriss fala de &#8220;segunda condi&#231;&#227;o camponesa&#8221; nas conversas digitais - e artificiais, aponta para o que ele entende como um risco: <strong>perder a leitura como pr&#225;tica de abstra&#231;&#227;o e ficar &#224; merc&#234; de uma oralidade empobrecida, que reage ao </strong><em><strong>feed</strong></em><strong>, mas n&#227;o projeta futuros</strong>.</p><p>mas relendo depois minhas anota&#231;&#245;es do evento, identifiquei outras camadas de oralidade que se constroem - e se fortalecem - justamente no tensionamento entre as ancestrais e as digitais.</p><p>em uma palestra da wgsn sobre o consumidor do futuro, por exemplo, palavras como brain rot, minimalismo virtual, oversharing, gatekeeping e slow life, do gloss&#225;rio de oralidades online, foram usadas para descrever pessoas exaustas do fluxo infinito da internet que tentam redesenhar sua &#8220;dieta de telas&#8221; criando momentos sem telefone, resgatando experi&#234;ncias manuais nost&#225;lgicas e at&#233; protegendo certos lugares da hiperexposi&#231;&#227;o, guardando, por exemplo, segredos de bairro que n&#227;o querem ver viralizados por um tiktoker que &#8220;descobriu mais uma portinha escondida".</p><p>sob isso est&#225; tamb&#233;m a pergunta que fiz l&#225; no come&#231;o desse texto, sobre <strong>com quem a gente conversa e em que tom</strong>. em meio &#224; desinforma&#231;&#227;o tecnol&#243;gica, as pessoas continuam confiando mais em outras pessoas com quem se identificam do que em marcas ou institui&#231;&#245;es, e que buscam curadorias humanas mesmo quando usam ferramentas digitais.</p><p>&#233; um cen&#225;rio em que tecnologia e oralidade se misturam: precisamos de interfaces e algoritmos, mas continuamos procurando vozes que pare&#231;am confi&#225;veis, curadoras, algu&#233;m que &#8220;conta&#8221; o que o produto &#233;, o que vale a pena ver, a quem se pode ouvir.</p><p>na palestra da amy gallo sobre conflitos e trabalho, a oralidade aparece justamente como a parte que falta na gest&#227;o. ela levanta um dado das suas pesquisas que diz que <strong>95% das pessoas t&#234;m coment&#225;rios relevantes sobre o trabalho que n&#227;o s&#227;o ditos</strong>, e chama isso de <strong>harmonia artificial</strong>, <strong>um sil&#234;ncio cheio de ressentimento debaixo de um verniz de paz.</strong>  </p><p>para ela, a tecnologia que interessa a esse espa&#231;o n&#227;o &#233; uma nova ferramenta, mas um modo de conversar diferente que &#233; de gest&#227;o, pra criar seguran&#231;a psicol&#243;gica, ter normas expl&#237;citas sobre como lidar com conflito, abandonar o famoso &#8220;feedback sandu&#237;che&#8221; que distorce a realidade e adotar uma estrutura mais limpa de inten&#231;&#227;o, situa&#231;&#227;o, comportamento, impacto e inten&#231;&#227;o.  </p><p>&#233; uma tentativa de projetar conversas que mantenham a verdade circulando, mesmo quando d&#243;i, e isso conversa diretamente com a ideia do cluetrain de que mercados &#8212; e aqui tamb&#233;m equipes, projetos, organiza&#231;&#245;es &#8212; s&#227;o feitos de conversas reais, em voz humana, n&#227;o de mensagens polidas que evitam o atrito.</p><p>quando ela fala de regular as emo&#231;&#245;es com auto&#8209;distanciamento, viagem no tempo mental e reframe, est&#225; propondo uma &#8220;engenharia da oralidade&#8221; para sustentar falas dif&#237;ceis sem escalar para ataque, fuga ou sil&#234;ncio absoluto. eu amo que ela &#233; formada em letras e sustenta seu trabalho justamente sobre a palavra. </p><p>a&#237; entra a palestra do luc ferry explodindo de cen&#225;rios catastr&#243;ficos, n&#250;meros sobre empregos em risco, exemplos de estudantes terceirizando teses para modelos de linguagem, bilion&#225;rios defendendo renda m&#237;nima para uma maioria talvez sem trabalho e sem fun&#231;&#227;o clara. ele faz um discurso que tenta dar forma ao medo e, ao mesmo tempo, ordenar uma &#233;tica do futuro, quando fala em distinguir aceleradores e desaceleradores da ia, discutir regula&#231;&#227;o de deepfakes, anonimato nas redes, impacto ecol&#243;gico de data centers, risco de v&#237;rus criados com ajuda de modelos generativos.  </p><p>para ferry, a possibilidade de continuidade da pr&#243;pria voz humana nos espa&#231;os p&#250;blicos est&#225; em risco. <strong>se a maior parte das intera&#231;&#245;es for intermediada por sistemas que falam, aconselham, consolam e prescrevem, quem de fato conduz a conversa social?</strong> eu sei que esse texto est&#225; enorme, mas voc&#234;s conseguem ainda acompanhar aqui minha pergunta central?  </p><p>ong lembraria que toda tecnologia da palavra amplia e distorce certos aspectos da oralidade e, aqui, a quest&#227;o para luc ferry, &#233; para que a nossa &#233;tica n&#227;o seja completamente capturada por vozes sem corpo que, de forma opaca, podem ser alinhadas a qualquer c&#243;digo moral programado.</p><p>steven pinker, falando de racionalidade e iluminismo, defende que nossas falas se ancorem em dados, em s&#233;ries hist&#243;ricas e em argumentos que se mant&#234;m v&#225;lidos independentemente de quem os pronuncia. mas uma oralidade que aposta no m&#233;todo cient&#237;fico e na ideia de progresso como fen&#244;meno real, sem ignorar vaidades e falhas dos pr&#243;prios cientistas? a racionalidade realmente ignora a nossa capacidade de dobrar a aposta, rs. </p><p>uma das palestras mais aguardadas do evento foi a de spike jonze falando do seu processo criativo em filmes como &#8220;her&#8221; e &#8220;onde vivem os monstros&#8221;. ele descreveu o pr&#243;prio trabalho como um movimento em torno de sentimentos que ainda n&#227;o t&#234;m forma, algo que n&#227;o se sabe direito at&#233; existir na tela. h&#225; um componente de conversa consigo mesmo, com atores, com a equipe, que vai afinando a narrativa at&#233; ela &#8220;soar certa&#8221;. e isso ecoa o que agualusa disse sobre receber personagens e acompanh&#225;&#8209;las, em vez de control&#225;&#8209;las, e o que a gente identifica em escritores que dependem do sentir para escrever, mesmo quando usam ferramentas como ia para apoiar o processo - como no caso do pr&#243;prio agualusa, conforme ele mencionou no evento, e agora, na &#250;ltima semana, a pol&#234;mica em torno da ganhadora do nobel, <a href="https://www.instagram.com/p/DYqE2D_GSUN/?img_index=1">olga tokarcuzk</a>.</p><p>em todos esses casos, a oralidade aparece como ensaio em voz alta, troca de hip&#243;teses e teste de resson&#226;ncia. <strong>a hist&#243;ria precisa funcionar como fala antes de se fixar como script, livro ou filme.</strong></p><p>seu jorge e z&#233;lia duncan, na conversa sobre a arte do imprevis&#237;vel, mediada pela roberta martinelli, a primeira que eu assisti na spiw, tamb&#233;m deram mais uma camada a essa conversa.</p><p>quando ele afirma que &#8220;est&#225; sempre buscando um jorge que ainda n&#227;o conhece&#8221;, e ela conta que &#8220;olha para quem veio e n&#227;o para a cadeira vazia&#8221;, o que aparece &#233; uma &#233;tica de presen&#231;a em que a performance oral &#233; o espa&#231;o em que o <em>eu</em> &#233; a pergunta em andamento. </p><p>assistir a todas essas palestras e pain&#233;is da spiw depois da leitura de naomi kanakia, sam kriss e walter ong, juntamente com o cluetrain manifesto, me levou a identificar que sim, <strong>as oralidades coexistem e permanecem centrais, qualitativas e permitem que ainda projetemos outros mundos</strong>:</p><ol><li><p>a oralidade ancestral que carrega cosmologias, hist&#243;rias e mem&#243;ria;</p></li><li><p>a oralidade corporativa tentando tratar de aten&#231;&#227;o e confian&#231;a, os grandes conflitos do nosso tempo;  </p></li><li><p>a oralidade t&#233;cnica que discute ia, regula&#231;&#227;o e economia pol&#237;tica da tecnologia;</p></li><li><p>a oralidade criativa que tenta dar forma a afetos complexos;  </p></li><li><p>e essa camada mais cotidiana da speech economy e dos v&#237;deos infinitos.</p></li></ol><p>entre oralidades que empobrecem a experi&#234;ncia e oralidades que aprofundam a presen&#231;a; entre uma internet que dissolve a aten&#231;&#227;o e outra que pode, em certos momentos, restaurar a conversa como lugar de inven&#231;&#227;o, &#233; que est&#225; o nosso ponto de tens&#227;o. e o que ainda pode abrir espa&#231;o para mudan&#231;a &#233; a possibilidade de usar tanto a oralidade quanto a escrita como tecnologias para ampliar responsabilidade e imagina&#231;&#227;o.</p><p>seguimos orais.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#75 o mercado odeia as mães - em colaboração com conversas paralelas]]></title><description><![CDATA[comenta, catita, comenta #7]]></description><link>https://catita.substack.com/p/comenta-catita-comenta-7</link><guid isPermaLink="false">https://catita.substack.com/p/comenta-catita-comenta-7</guid><dc:creator><![CDATA[catita silva]]></dc:creator><pubDate>Sun, 17 May 2026 18:55:58 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!6dIm!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F54ad8f9e-1dd4-444a-8d8d-8dd9c1be9073_1125x1124.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p><em>no dia 28 de abril, acordei com uma mensagem da <strong><span class="mention-wrap" data-attrs="{&quot;name&quot;:&quot;ly takai&quot;,&quot;id&quot;:31460601,&quot;type&quot;:&quot;user&quot;,&quot;url&quot;:null,&quot;photo_url&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/6cf1d435-e35a-41e7-8887-779efbf63744_1204x1206.png&quot;,&quot;uuid&quot;:&quot;8c5fc204-ff30-45f4-85a8-947305387d4d&quot;}" data-component-name="MentionToDOM"></span></strong> me convidando pra cocriar um branded content que ela desejava fazer h&#225; pelo menos dois anos e que, com o radar e a convic&#231;&#227;o de quem pesquisa, mentora e acompanha carreiras de mulheres criativas, sabia ser pertinente. como estrategista, pesquisadora e comunicadora nesse mesmo mercado e, sobretudo por ser uma m&#227;e atravessada pelas quest&#245;es propostas no editorial que ela desejava produzir, topei na hora. <strong>duas loucas</strong>, afinal, em menos de uma semana, entre pautas e agendas cheias e ass&#237;ncronas, em fusos hor&#225;rios diferentes - Ly vive em Lisboa, eu em S&#227;o Paulo -, realizamos a pesquisa, a curadoria, as entrevistas, o desenvolvimento conceitual e a edi&#231;&#227;o de uma s&#233;rie de conte&#250;dos que foram ao ar em colabora&#231;&#227;o nas nossas redes e que fechamos - ou melhor, estendemos a conversa - na edi&#231;&#227;o de hoje das nossas newsletters.</em></p><div><hr></div><blockquote><p>ao longo desses <strong>18 anos atendendo mulheres em diferentes est&#225;gios</strong> da vida profissional,<strong> a maternidade apareceu in&#250;meras vezes como uma linha invis&#237;vel de ruptura dentro dessas carreiras</strong>.</p><p>mulheres criadoras-criativas-artistas que descobriram a gravidez durante mentorias, que <strong>conseguiram conquistar a sonhada licen&#231;a-maternidade</strong> mais segura atrav&#233;s do trabalho que fizemos juntas, que tentavam <strong>retornar ao mercado depois de anos fora dele.</strong></p><p>e falo de <strong>profissionais brilhantes, experientes, extremamente qualificadas</strong> e ainda assim atravessadas por um sistema que transforma a <strong>maternidade em desvantagem competitiva.</strong></p></blockquote><p><em>voc&#234; pode ler o trecho destacado acima na edi&#231;&#227;o completa de </em><span class="mention-wrap" data-attrs="{&quot;name&quot;:&quot;conversas paralelas, por ly takai. &quot;,&quot;id&quot;:1229281,&quot;type&quot;:&quot;pub&quot;,&quot;url&quot;:&quot;https://open.substack.com/pub/conversasparalelas&quot;,&quot;photo_url&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/c7e5b16f-28d9-4160-884f-5d9b6f03a4ca_1080x1080.png&quot;,&quot;uuid&quot;:&quot;34f082c0-291b-4a4e-a54e-c5e615aeb053&quot;}" data-component-name="MentionToDOM"></span>, <em>clicando abaixo:</em></p><div class="embedded-post-wrap" data-attrs="{&quot;id&quot;:197820441,&quot;url&quot;:&quot;https://conversasparalelas.substack.com/p/o-mercado-odeia-as-maes&quot;,&quot;publication_id&quot;:1229281,&quot;embedding_publication_id&quot;:null,&quot;publication_name&quot;:&quot;conversas paralelas, por ly takai. &quot;,&quot;publication_logo_url&quot;:&quot;https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!7cs0!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc7e5b16f-28d9-4160-884f-5d9b6f03a4ca_1080x1080.png&quot;,&quot;title&quot;:&quot;o mercado odeia as m&#227;es. &quot;,&quot;truncated_body_text&quot;:&quot;&quot;,&quot;date&quot;:&quot;2026-05-17T13:28:24.526Z&quot;,&quot;like_count&quot;:2,&quot;comment_count&quot;:0,&quot;bylines&quot;:[{&quot;id&quot;:31460601,&quot;name&quot;:&quot;ly takai&quot;,&quot;handle&quot;:&quot;lytakai&quot;,&quot;previous_name&quot;:null,&quot;photo_url&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/6cf1d435-e35a-41e7-8887-779efbf63744_1204x1206.png&quot;,&quot;bio&quot;:&quot;criativa multidisciplinar e criadora da CREATIVE MENTORING, uma metodologia de branding registrada e validada na Biblioteca Nacional criada para impulsionar marcas e carreiras criativas na 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href="https://conversasparalelas.substack.com/p/o-mercado-odeia-as-maes?utm_source=substack&amp;utm_campaign=post_embed&amp;utm_medium=web"><div class="embedded-post-header"><img class="embedded-post-publication-logo" src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!7cs0!,w_56,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc7e5b16f-28d9-4160-884f-5d9b6f03a4ca_1080x1080.png"><span class="embedded-post-publication-name">conversas paralelas, por ly takai. </span></div><div class="embedded-post-title-wrapper"><div class="embedded-post-title">o mercado odeia as m&#227;es. </div></div><div class="embedded-post-cta-wrapper"><span class="embedded-post-cta">Read more</span></div><div class="embedded-post-meta">3 months ago &#183; 2 likes &#183; ly takai</div></a></div><div><hr></div><h2><code>o mercado odeia as m&#227;es.<br>e isso n&#227;o &#233; uma mera for&#231;a de express&#227;o.</code></h2><p>enquanto voc&#234; l&#234; essa newsletter, o varejo brasileiro est&#225; terminando de fechar o caixa de mais um dia das m&#227;es, segunda data mais importante do calend&#225;rio, com <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/economia/audio/2026-05/dia-das-maes-deve-movimentar-quase-r-38-bilhoes-no-varejo">previs&#227;o de quase 38 bilh&#245;es de reais em vendas em 2026</a> e 127 milh&#245;es de consumidores &#224;s compras. no feed, &#233; flor, promo&#231;&#227;o e texto emocionado. na vida real, &#233; demiss&#227;o, rebaixamento, congelamento de carreira e um sil&#234;ncio constrangedor sobre quem paga essa conta o resto do ano.</p><p>o ponto de partida aqui &#233; simples e inc&#244;modo: <strong>se o mercado ama tanto as m&#227;es em maio, por que tantas delas seguem sendo expulsas &#8211; devagar ou de uma vez &#8211; do mercado de trabalho quando os holofotes se apagam?</strong></p><p>nesta conversa, a gente decidiu fazer o contr&#225;rio do que a publicidade costuma fazer: <strong>sair do cart&#227;o perfumado e entrar na planilha, na pol&#237;tica e na pele</strong>.</p><h3><code>quando o feed diz &#8220;m&#227;e&#8221; e a planilha diz &#8220;custo&#8221;</code></h3><p>vamos come&#231;ar pelo &#243;bvio que quase nunca &#233; dito em voz alta: <strong>o dia das m&#227;es &#233; uma m&#225;quina de dinheiro</strong>. a proje&#231;&#227;o para 2026 falava em algo em torno de 37,9 bilh&#245;es de reais movimentados no varejo, consolidando a data como a segunda mais relevante do ano e trazendo cerca de 78% dos consumidores para o jogo dos presentes.</p><p>n&#227;o h&#225; nada de errado em presentear sua m&#227;e, sua av&#243;, sua tia. o problema come&#231;a quando <strong>esse amor medido em ticket m&#233;dio n&#227;o tem nenhuma correspond&#234;ncia na forma como o mesmo mercado trata essas mulheres como trabalhadoras.</strong></p><p><strong>porque, quando a festa acaba, come&#231;a a penalidade.</strong></p><p>uma <a href="https://madeusp.com.br/publicacoes/artigos/npe-51-custo-da-maternidade-no-brasil-as-multiplas-consequencias-do-trabalho-de-cuidado-nao-remunerado-realizado-por-mulheres/">pesquisa do made&#8209;usp</a> estima que 11,2 milh&#245;es de mulheres ficaram fora da for&#231;a de trabalho em 2022 para cuidar de filhos, pessoas com defici&#234;ncia ou afazeres dom&#233;sticos. uma leitura complementar feita pelo <a href="https://blogdoibre.fgv.br/posts/maternidade-e-participacao-feminina-no-mercado-de-trabalho">blog do ibre/fgv</a> mostra que a presen&#231;a de filhos reduz de forma consistente a participa&#231;&#227;o feminina no mercado e piora a qualidade dessa inser&#231;&#227;o.</p><p>dados mais recentes da <a href="https://www.meioemensagem.com.br/womentowatch/60-das-maes-estao-fora-do-mercado-de-trabalho-no-brasil">catho</a> indicam que 60% das m&#227;es entrevistadas em 2025 estavam fora do mercado de trabalho formal, ainda que muitas quisessem estar empregadas. e, entre as que conseguem se manter, a maior parte est&#225; em cargos de base: quase 60% em fun&#231;&#245;es operacionais, apenas 15% em posi&#231;&#245;es de gest&#227;o, e cerca de 95% afirmam nunca ter sido promovidas enquanto gr&#225;vidas ou em licen&#231;a.</p><p>se o mercado realmente honrasse as m&#227;es, o dado que abriria o relat&#243;rio de performance n&#227;o seria o faturamento do dia das m&#227;es. seria quantas m&#227;es conseguem ficar.</p><h3><code>a conta da maternidade chega em forma de demiss&#227;o</code></h3><p>existe uma imagem muito espec&#237;fica que vai se repetindo nos dados, nos depoimentos que recebemos e nos bastidores do mercado: a carta de demiss&#227;o chegando logo depois do bolo de <code>bem-vinda de volta</code>.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!6dIm!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F54ad8f9e-1dd4-444a-8d8d-8dd9c1be9073_1125x1124.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!6dIm!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F54ad8f9e-1dd4-444a-8d8d-8dd9c1be9073_1125x1124.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!6dIm!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F54ad8f9e-1dd4-444a-8d8d-8dd9c1be9073_1125x1124.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!6dIm!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F54ad8f9e-1dd4-444a-8d8d-8dd9c1be9073_1125x1124.jpeg 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data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/54ad8f9e-1dd4-444a-8d8d-8dd9c1be9073_1125x1124.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:1124,&quot;width&quot;:1125,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:178881,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://catita.substack.com/i/198132642?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F54ad8f9e-1dd4-444a-8d8d-8dd9c1be9073_1125x1124.jpeg&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">bento cake</figcaption></figure></div><p><a href="https://repositorio.fgv.br/items/e84546b2-5957-4e99-8197-c7f7f1ace4c6">estudos da fgv sobre licen&#231;a&#8209;maternidade</a> mostram que, at&#233; dois anos ap&#243;s o fim da licen&#231;a, cerca de metade das mulheres perde o emprego, na maior parte das vezes por iniciativa do empregador. s&#227;o contratos que n&#227;o s&#227;o renovados, fun&#231;&#245;es esvaziadas, listas de corte que curiosamente acontecem logo ap&#243;s o fim da estabilidade.</p><p>na pr&#225;tica, <a href="https://focuspoder.com.br/exame-de-gravidez-na-demissao-e-discriminacao-ou-garantia-de-direitos-por-erica-martins/">a legisla&#231;&#227;o brasileira</a> garante estabilidade da confirma&#231;&#227;o da gravidez at&#233; cinco meses ap&#243;s o parto. na pr&#225;tica tamb&#233;m, <strong>a criatividade empresarial encontra mil jeitos de driblar o esp&#237;rito da lei.</strong></p><p><strong><a href="https://www.instagram.com/aquelamari">mari rodrigues</a></strong>, rela&#231;&#245;es p&#250;blicas e m&#227;e do seb&#225;, descreveu assim o que aconteceu com ela: </p><div class="callout-block" data-callout="true"><p>&#8220;voltei da licen&#231;a-maternidade em home office. tr&#234;s dias depois, meu chefe me mandou embora.&#8221;</p></div><p>a <strong><a href="https://www.instagram.com/mariadeantonia">maria karina</a></strong>, jornalista e m&#227;e da antonia, foi mais fundo:</p><div class="callout-block" data-callout="true"><p>&#8220;fui demitida por ser mulher, por ter engravidado e por ter gerado uma filha com defici&#234;ncia.&#8221;</p></div><p>o recado impl&#237;cito &#233; cristalino: podem ter filhos, desde que sejam filhos que n&#227;o adoe&#231;am, que n&#227;o precisem demais da m&#227;e, que n&#227;o exijam estrutura, que n&#227;o saiam da curva da norma.</p><p>filhos &#8220;de cat&#225;logo&#8221; at&#233; cabem no budget. filhos reais, nem sempre.</p><h3><code>penalidade da maternidade: quando o ciclo de vida vira falha de sistema</code></h3><p>a literatura acad&#234;mica brasileira nem tenta dourar a p&#237;lula. artigos como <a href="https://www.scielo.br/j/rbepop/a/YqqJqjPwYW33k6GFLknY4sS/?format=html&amp;lang=pt">&#8220;a penalidade pela maternidade: participa&#231;&#227;o e qualidade da inser&#231;&#227;o no mercado de trabalho das mulheres com filhos&#8221;</a> mostram, com dados da pesquisa de emprego e desemprego, que ter filhos diminui a probabilidade de as mulheres participarem do mercado e aumenta o risco de ocupa&#231;&#245;es prec&#225;rias e parciais.</p><p>essa diferen&#231;a na participa&#231;&#227;o entre mulheres com e sem filhos continua alta mesmo 18 anos depois do nascimento da crian&#231;a. o impacto para homens? quase nulo. a chegada de um filho praticamente n&#227;o altera a presen&#231;a deles no mercado, nem o padr&#227;o de carreira.</p><p><strong><a href="https://thinkeva.com.br/custo-maternidade-brasil/">em portugu&#234;s bem claro: ter filho n&#227;o tira homem do trabalho, mas tira milh&#245;es de mulheres.</a></strong></p><p>e n&#227;o &#233; porque elas n&#227;o aguentam ou n&#227;o querem crescer. &#233; porque o sistema continua organizado em torno da figura do trabalhador ideal: algu&#233;m 100% dispon&#237;vel, sem interrup&#231;&#245;es, sem responsabilidades de cuidado. </p><p><code>se voc&#234; vive num corpo que menstrua, engravida, amamenta e continua cuidando, voc&#234; est&#225; automaticamente fora da r&#233;gua de normalidade.</code></p><h3><code>antes de virar m&#227;e, j&#225; punida pela possibilidade</code></h3><p>essa penalidade come&#231;a antes do positivo no teste.</p><p>segundo a <a href="https://s2consultoria.com.br/maternidade-e-trabalho/">s2 consultoria</a>, uma pesquisa com usu&#225;rias do site vagas.com mostra que cerca de <strong>71% das mulheres foram questionadas</strong>, em seu &#250;ltimo processo seletivo, <strong>se j&#225; eram m&#227;es ou se pretendiam ter filhos</strong>; j&#225; um levantamento com a base da catho indica que <strong>83,7% das m&#227;es relataram ter sido perguntadas mais de uma vez sobre filhos por recrutadores</strong>.</p><p>essas perguntas s&#227;o ilegais. <strong>a lei 9.029/95 pro&#237;be exigir informa&#231;&#245;es sobre gravidez ou planos reprodutivos em processos seletivos</strong>. ainda assim, elas seguem sendo feitas, repetidas, naturalizadas. <a href="https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/concursos-e-emprego/noticia/2024/05/26/aprovada-em-processo-seletivo-perde-vaga-ao-contar-gravidez-entenda-por-que-atitude-da-empresa-e-ilegal-e-o-que-fazer.ghtml">casos noticiados</a> de mulheres aprovadas que perdem a vaga ao informar a gravidez s&#243; tornam p&#250;blico o que j&#225; &#233; rotina silenciosa.</p><p><strong><a href="https://www.instagram.com/lilianeferrari/">liliane ferrari</a></strong>, consultora de marketing e m&#227;e da lu&#237;sa, conta que numa entrevista para uma big tech, ouviu:</p><div class="callout-block" data-callout="true"><p>&#8220;&#8216;e nas viagens voc&#234; larga sua filha com quem?&#8217;"</p></div><p>na &#233;poca, ela riu e respondeu que a filha tinha pai. hoje, o inc&#244;modo vai para outro lugar: n&#227;o importa se tem pai, m&#227;e solo, av&#243;, rede de apoio &#8212; isso n&#227;o &#233; da conta do empregador. <strong>a &#250;nica institui&#231;&#227;o que, em tese, poderia questionar a guarda de uma crian&#231;a &#233; o conselho tutelar. o rh definitivamente n&#227;o.</strong></p><p><strong>o mercado </strong>quer as compet&#234;ncias das mulheres. s&#243; <strong>exige que o &#250;tero ou o desejo de ser m&#227;e venham desligados</strong>.</p><h3><code>quando a penalidade tem cor: o recorte das m&#227;es negras</code></h3><p>nenhuma dessas desigualdades &#233; distribu&#237;da de forma neutra. <strong>em um pa&#237;s estruturalmente racista, a conta da maternidade cai com for&#231;a desproporcional sobre as mulheres negras.</strong></p><p>o estudo <a href="https://madeusp.com.br/publicacoes/artigos/npe-51-custo-da-maternidade-no-brasil-as-multiplas-consequencias-do-trabalho-de-cuidado-nao-remunerado-realizado-por-mulheres/">custo da maternidade no brasil</a>, do made&#8209;usp, mostra que, <strong>entre as mulheres que deixam o mercado para cuidar, a maioria &#233; negra: quase 7 milh&#245;es de m&#227;es negras fora da for&#231;a de trabalho,</strong> contra 4,3 milh&#245;es de brancas. <a href="https://www.institutoiab.org.br/uma-mae-muitas-lutas-a-realidade-das-maes-brasileiras/">dados do governo federal citados pelo instituto iab</a> indicam que mulheres negras ganham, em m&#233;dia, 81,6% do sal&#225;rio de homens brancos e enfrentam quase o dobro da taxa de desemprego.</p><p><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/maes-negras-recebem-salario-menor-que-trabalhadoras-nao-negras-aponta-pesquisa/">a pesquisa da io diversidade com o instituto locomotiva</a> mostra que um quarto das m&#227;es negras j&#225; recebeu sal&#225;rio menor do que colegas de outra ra&#231;a na mesma fun&#231;&#227;o, contra 16% das m&#227;es n&#227;o negras. 30% relatam ter sido discriminadas no trabalho pela ra&#231;a/cor; seis em cada dez dizem j&#225; ter sofrido preconceito racial de forma geral.</p><p>o racismo transforma a penalidade da maternidade em senten&#231;a de precariza&#231;&#227;o.<br><strong>o mercado odeia ainda mais as m&#227;es negras.</strong></p><p><strong>n&#227;o existe efic&#225;cia em qualquer pol&#237;tica de inclus&#227;o de m&#227;es que ignore ra&#231;a.</strong></p><h3><code>mercado criativo: quem escreve a homenagem e quem paga a conta</code></h3><p>no setor que mais gosta de falar de hist&#243;ria real e maternidade sem filtros, os bastidores ainda s&#227;o bastante previs&#237;veis. o <a href="https://gestaokairos.com.br/publicacoes/publicidade-inclusiva-censo-de-diversidade-das-agencias-brasileiras-odp-2023/">censo de diversidade das ag&#234;ncias brasileiras</a> mostra que as mulheres s&#227;o maioria na base, mas seguem <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2023-06/faltam-mulheres-negras-em-altas-liderancas-do-setor-de-publicidade">sub&#8209;representadas na lideran&#231;a</a>. mulheres negras comp&#245;em algo entre 17% e 21% do quadro total, mas menos de 5% dos cargos de ger&#234;ncia para cima, e uma <a href="https://www.meioemensagem.com.br/womentowatch/qual-o-impacto-da-lideranca-negra-na-publicidade-brasileira">presen&#231;a quase inexistente no c&#8209;level</a>.</p><p><strong>quem escreve a homenagem de dia das m&#227;es nem sempre garante licen&#231;a, promo&#231;&#227;o ou sal&#225;rio justo para as m&#227;es da pr&#243;pria equipe.</strong></p><p>a <strong><a href="https://www.instagram.com/carolburgo">carol burgo</a></strong>, diretora criativa da prosa e m&#227;e da ol&#237;via, resume em duas frases o que os dados desenham em gr&#225;ficos:</p><div class="callout-block" data-callout="true"><p>&#8220;na ag&#234;ncia de publicidade, espera-se que voc&#234; tenha tempo ilimitado pro trabalho. a maternidade simplesmente n&#227;o cabe.&#8221;</p></div><div class="callout-block" data-callout="true"><p>&#8220;no dia das m&#227;es, as marcas lembram das m&#227;es. fora do dia das m&#227;es, &#233; como se a gente n&#227;o existisse.&#8221;</p></div><p>ao mesmo tempo, estudos de consumo mostram que as <a href="https://www.abras.com.br/clipping/geral/67452/nielsen-mulheres-sao-responsaveis-pelas-compras-em-96-dos-lares">mulheres s&#227;o respons&#225;veis pelas compras em 96% dos lares brasileiros</a> e lideram decis&#245;es em v&#225;rias categorias.</p><p><strong>para o mercado, m&#227;e &#233; kpi.</strong><br><code>pessoa, sujeito de direitos, trabalhadora com carreira de longo prazo, nem sempre.</code></p><h2><code>o que ouvimos quando paramos para escutar m&#227;es</code></h2><p>quando convidamos mulheres do mercado criativo para falar em primeira pessoa, recebemos um mosaico de experi&#234;ncias que poderia ser tese, campanha e relat&#243;rio de pol&#237;ticas p&#250;blicas ao mesmo tempo. ao analisar os depoimentos, <strong>identificamos 48 quest&#245;es recorrentes que atravessam essas trajet&#243;rias</strong>:</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!4jwW!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc60f63c7-68d3-495a-abb4-11719190311e_2400x1600.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!4jwW!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc60f63c7-68d3-495a-abb4-11719190311e_2400x1600.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!4jwW!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc60f63c7-68d3-495a-abb4-11719190311e_2400x1600.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!4jwW!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc60f63c7-68d3-495a-abb4-11719190311e_2400x1600.png 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data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/c60f63c7-68d3-495a-abb4-11719190311e_2400x1600.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:971,&quot;width&quot;:1456,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:448168,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://catita.substack.com/i/198132642?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc60f63c7-68d3-495a-abb4-11719190311e_2400x1600.png&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p>isso &#233; s&#243; um mapa parcial do que aparece quando voc&#234; deixa de tratar maternidade como tema de campanha e passa a ouvi&#8209;la como estrutura - <strong>em primeira pessoa.</strong></p><h3><code>estruturais: o problema n&#227;o &#233; voc&#234;, &#233; o jogo</code></h3><p>aqui entram demiss&#227;o p&#243;s&#8209;licen&#231;a, promo&#231;&#227;o que some do horizonte, jornadas pensadas para um trabalhador ideal que nunca pega fila de pediatra, cliente que rompe contrato porque a dona da ag&#234;ncia est&#225; de licen&#231;a, empresa que escolhe ficar com o &#8220;faz&#8209;tudo&#8221; porque ele, ao contr&#225;rio da colega, &#8220;n&#227;o corre o risco de engravidar&#8221;.</p><p>&#233; a mari sendo desligada tr&#234;s dias depois de voltar da licen&#231;a.<br>&#233; a maria karina ouvindo que v&#227;o ficar com o homem da equipe porque ele &#233; &#8220;mais vers&#225;til&#8221;, quando o que est&#225; em jogo &#233; n&#227;o ter &#250;tero.<br>&#233; a percep&#231;&#227;o de que, <strong>numa disputa silenciosa, sempre soa natural que seja a mulher a abrir m&#227;o do curso, da vaga na universidade, da promo&#231;&#227;o.</strong></p><h3><code>culturais e subjetivos: culpa, apagamento e falta de sororidade</code></h3><p>esse grupo fala de lugares internos e simb&#243;licos, mas com efeitos bem concretos.<br>&#233; a carol burgo dizendo que, depois da filha, passou a ser tratada apenas como m&#227;e &#8211; o resto das suas pot&#234;ncias ficando nos bastidores.<br>&#233; a <a href="https://www.instagram.com/crismoraes.pr/">cris moraes</a>, jornalista, percebendo a cliente mulher romper um contrato em plena licen&#231;a com a justificativa de que ela &#8220;n&#227;o estava presente o suficiente&#8221;. e o choque de descobrir que, mesmo entre mulheres, a maternidade ainda &#233; gordo fator de desconfian&#231;a.</p><p>&#233; a culpa que a <a href="https://www.instagram.com/nanalima/">nana lima</a>, diretora executiva, descreve: </p><div class="callout-block" data-callout="true"><p>querer assumir um trabalho incr&#237;vel e, ao mesmo tempo, sentir o peso de estar menos tempo com os filhos. </p></div><h3><code>carga mental e dupla jornada: quem acompanha o uber da filha</code></h3><p>a carga mental aparece com for&#231;a: agenda da escola, febre no meio da reuni&#227;o, recado da professora, consulta, compra de mercado, li&#231;&#227;o, log&#237;stica de av&#243; e bab&#225;.</p><p>a <a href="https://www.instagram.com/carolpatrocinio/">carol patrocinio</a>, diretora executiva de cria&#231;&#227;o, sintetiza bem:</p><div class="callout-block" data-callout="true"><p>&#8220;os caras saem de casa e focam 100% no trabalho. a gente sai de casa acompanhando o uber da filha adolescente e pensando se vai ter janta.&#8221;</p></div><p>&#8220;&#233; a escola que liga sempre para a m&#227;e, mesmo quando &#233; a semana do pai&#8221;, como conta a <a href="https://www.instagram.com/___danicosta___/">dani costa</a>, empres&#225;ria, mentora e m&#227;e de um adolescente. </p><p>&#233; a colega da carol burgo que &#8220;cancela reuni&#227;o atr&#225;s de reuni&#227;o para cuidar do filho doente, enquanto o pai trabalha de casa sem nunca ser o primeiro acionado&#8221;.</p><h3><code>paternidade e divis&#227;o de cuidado: quem &#233; &#8220;ajuda&#8221; e quem &#233; &#8220;respons&#225;vel&#8221;</code></h3><p>nos depoimentos, a paternidade aparece muito mais como contexto do que como personagem. n&#227;o porque n&#227;o haja pais presentes, mas porque a engrenagem ainda se organiza como se o cuidado fosse uma gentileza que eles ajudam a prestar, nunca responsabilidade compartilhada.</p><p>quando existe algum conflito entre agenda da empresa e necessidade da crian&#231;a, quase sempre &#233; a agenda dela que cede. ele tem um trabalho; ela, aparentemente, tem uma flexibilidade el&#225;stica.</p><h3><code>home office, presencial e o mito da disponibilidade</code></h3><p>o home office aparece como ferramenta importante, mas tamb&#233;m como armadilha.<br>ele permite ficar mais perto, buscar crian&#231;a doente, acompanhar adapta&#231;&#227;o na creche. mas, se n&#227;o vier acompanhado de cultura, vira o lugar onde a m&#227;e est&#225; sempre online, sempre acess&#237;vel, sempre com a c&#226;mera ligada - e a culpa tamb&#233;m.</p><p>quando o retorno ao presencial vira fetiche de lideran&#231;a &#8212; como descreve a carol patrocinio &#8212; o contraste fica gritante: </p><div class="callout-block" data-callout="true"><p>&#8220;homens v&#227;o ao escrit&#243;rio para &#8216;focar 100% no trabalho' e mulheres atravessam a cidade com a cabe&#231;a dividida entre call de status e febre de 38,5"</p></div><h3><code>flexibilidade, escolhas e as sa&#237;das poss&#237;veis</code></h3><p>flexibilidade &#233; sobreviv&#234;ncia.<br>a dani falou da import&#226;ncia de achar &#8220;um lugar com mais flexibilidade e mais entendimento&#8221; nos primeiros anos do filho. a <a href="https://www.instagram.com/_matryoska/">rachel patr&#237;cio</a>, tar&#243;loga e m&#227;e de 3, conta como &#8220;a dificuldade de conciliar estudos, trabalho e cuidado a empurrou para o trabalho aut&#244;nomo&#8221;.</p><p><a href="https://thinkeva.com.br/maternidade-e-trabalho-remoto/">relat&#243;rios e estudos sobre trabalho remoto e hor&#225;rios flex&#237;veis </a>indicam que modelos mais el&#225;sticos - com metas claras, jornadas h&#237;bridas, possibilidade de ass&#237;ncrono - aumentam bem&#8209;estar, engajamento e produtividade, sobretudo para quem cuida. <strong>pesquisas mostram que empresas com pol&#237;ticas robustas de jornada flex&#237;vel t&#234;m mais reten&#231;&#227;o de talentos e melhor equil&#237;brio vida&#8209;trabalho.</strong></p><p>quando a empresa muda a r&#233;gua, a m&#227;e n&#227;o precisa escolher entre caber na planilha e caber na pr&#243;pria vida.</p><h3>m&#227;es enlutadas: uma maternidade que o mercado nem registra</h3><p>a <a href="https://www.instagram.com/ju_faria/">jules faria</a>, consultora criativa, m&#227;e do jonas, do leo e da lila, traz uma camada que quase nunca entra em campanhas nem estat&#237;sticas: as m&#227;es que perderam a gesta&#231;&#227;o, no parto ou logo depois.</p><div class="callout-block" data-callout="true"><p>&#8220;quem perde um beb&#234; na gesta&#231;&#227;o ainda &#233; m&#227;e. teve uma gravidez, um amor que come&#231;ou antes de ter qualquer nome. mas o mundo do trabalho n&#227;o d&#225; licen&#231;a pra isso, nem uma palavra de acolhimento.&#8221;</p></div><p>essas mulheres voltam para o expediente com um corpo e um cora&#231;&#227;o partidos, muitas vezes sem ter contado nem da gesta&#231;&#227;o nem da perda. &#233; uma maternidade que exige tudo &#8212; cansa&#231;o, entrega, transforma&#231;&#227;o &#8212; e, ao mesmo tempo, n&#227;o d&#225; acesso a nenhuma prote&#231;&#227;o espec&#237;fica.</p><h3><code>ganhos da maternidade</code></h3><p>no meio de tanto dado duro, um feito se repete: a maternidade tamb&#233;m produz habilidades, pot&#234;ncias e modos de ver o mundo que s&#227;o ativos profissionais, ainda que o mercado insista em trat&#225;&#8209;los como problema.</p><p>a carol burgo falou de uma &#8220;<strong>for&#231;a criativa nova, de uma efici&#234;ncia que s&#243; aparece quando o tempo deixa de ser infinito".</strong></p><p>a mari falou de &#8220;<strong>resili&#234;ncia, de filtro, de n&#227;o responder qualquer coisa porque sabe que tem algu&#233;m pra sustentar&#8221;.</strong></p><p>a rachel contou como &#8220;<strong>ser m&#227;e treinou sua escuta e sua capacidade de olhar o outro por inteiro".</strong></p><p>e a pr&#243;pria mari descreve um circuito bonito: </p><div class="callout-block" data-callout="true"><p>&#8220;ficar travada numa ideia, passar o fim de semana imersa no mundo do filho, e dali sair o insight que destrava o trabalho.&#8221;</p></div><p><strong>maternidade n&#227;o deveria ser fim de linha de curr&#237;culo.<br>ela &#233;, para muitas de n&#243;s, </strong><em><strong>engine</strong></em><strong> de vis&#227;o de futuro.</strong></p><h2><code>depois do dia das m&#227;es: m&#227;e &#233; m&#227;e tamb&#233;m na ter&#231;a de fechamento</code></h2><p>passada a enxurrada de posts com fotos antigas, frases de efeito e campanhas emocionadas, a maternidade continua existindo. em agosto, em novembro, em plena ter&#231;a&#8209;feira de fechamento e na quinta do pediatra.</p><p><strong>m&#227;e &#233; m&#227;e tamb&#233;m fora do dia das m&#227;es.<br>e, antes de ser m&#227;e, &#233; mulher.</strong></p><p>mulher com ambi&#231;&#227;o, desejo de reconhecimento, projeto de carreira, vontade de ocupar o espa&#231;o p&#250;blico. a forma como o trabalho &#233; organizado hoje ainda trata a maternidade como desvio de rota, n&#227;o como uma possibilidade leg&#237;tima e previs&#237;vel na trajet&#243;ria profissional.</p><p>modelos de trabalho remoto ou h&#237;brido, com hor&#225;rios ajust&#225;veis, aumentam satisfa&#231;&#227;o e produtividade &#8212; desde que n&#227;o virem convite para <code>&#8220;estar on 24/7&#8221;</code>. flexibilidade real n&#227;o &#233; s&#243; poder trabalhar de casa; &#233; redesenhar hor&#225;rios, metas e rituais pra considerar quem tem outra jornada de cuidado em casa.</p><p>o minist&#233;rio da sa&#250;de e os programas de equidade de g&#234;nero lembram que pol&#237;ticas como licen&#231;a&#8209;maternidade de seis meses, creches em tempo integral, conv&#234;nio com creches e <a href="https://www.unasus.gov.br/noticia/ministerio-da-saude-quer-dobrar-salas-de-apoio-amamentacao-nas-empresas">salas de apoio &#224; amamenta&#231;&#227;o</a> s&#227;o pilares b&#225;sicos para sustentar a mulher trabalhadora que amamenta. <a href="https://www.gov.br/mdh/pt-br/noticias-spm/noticias/12-08-empresas-do-pro-equidade-realizam-acoes-de-apoio-a-amamentacao">casos de empresas</a> que oferecem creche interna, salas de amamenta&#231;&#227;o e programas estruturados de retorno <a href="https://bebe.abril.com.br/amamentacao/5-empresas-brasileiras-que-incentivam-a-amamentacao-apos-a-licenca-maternidade/">mostram</a> que &#233; poss&#237;vel conciliar cuidado, carreira e desenvolvimento infantil quando a estrutura acompanha e garante condi&#231;&#245;es m&#237;nimas para que crian&#231;as e mulheres n&#227;o paguem, sozinhas, a conta da falta de pol&#237;tica.</p><h3><code>performance para quem?</code></h3><p>se a r&#233;gua de performance sup&#245;e um trabalhador sem corpo, sem filhos, sem luto, sem doen&#231;a, sem fase de adapta&#231;&#227;o de creche, talvez a r&#233;gua esteja errada.</p><p>rever crit&#233;rios de valor significa:</p><ol><li><p><code>olhar para resultado, n&#227;o s&#243; para horas de cadeira;</code></p></li><li><p><code>considerar contexto, carga invis&#237;vel de trabalho dom&#233;stico e de cuidado;</code></p></li><li><p><code>reconhecer que burnout materno n&#227;o &#233; problema individual de time&#8209;management, mas sintoma de um modelo que espreme at&#233; o limite quem cuida.</code></p></li></ol><p>enquanto a m&#227;e segue sendo lida como risco, o mercado n&#227;o s&#243; perde talento como refor&#231;a desigualdades que j&#225; custam caro para o pa&#237;s &#8212; em produtividade, em sa&#250;de p&#250;blica, em reprodu&#231;&#227;o intergeracional da pobreza.</p><h3><code>a publicidade que ajudou a criar o mito pode ajudar a desmont&#225;&#8209;lo</code></h3><p>o nosso pr&#243;prio setor &#8212; comunica&#231;&#227;o, publicidade, conte&#250;do &#8212; tem culpa no cart&#243;rio. d&#233;cadas de campanhas ajudaram a consolidar o imagin&#225;rio da <code>m&#227;e perfeita</code>: sempre dispon&#237;vel, sorrindo, abra&#231;ada &#224;s flores que chegam no domingo, sem olheira, sem boleto atrasado, sem crise na reuni&#227;o de feedback.</p><p>pesquisas como <a href="https://www.b9.com.br/126260/79-das-brasileiras-gostariam-de-ver-a-maternidade-retratada-de-forma-mais-realista-na-publicidade/">m&#227;es reais, da 65|10</a>, e <a href="https://mindminers.com/blog/maternidade-sem-filtro-parte-iii-2/">maternidade sem filtro, da mindminers</a>, mostram que as mulheres querem ver a maternidade retratada de forma mais realista, com seus desafios, ambival&#234;ncias e sobrecargas. mais de 70% das brasileiras dizem desejar pe&#231;as que mostrem tamb&#233;m as partes dif&#237;ceis, n&#227;o s&#243; o lado idealizado do tal amor incondicional.</p><p><strong>se a publicidade ajudou a construir o mito, ela pode &#8212; e deve &#8212; usar o mesmo alcance pra normalizar m&#227;e que negocia hor&#225;rio, que pede ajuda, que &#233; promovida, que lidera.</strong></p><p>mas tem uma condi&#231;&#227;o b&#225;sica: marcas e ag&#234;ncias que quiserem falar de maternidade real v&#227;o ter de olhar para dentro. n&#227;o adianta mostrar m&#227;es diversas no filme se, na ficha t&#233;cnica e no quadro de funcion&#225;rios, elas continuam fora da decis&#227;o.</p><p><code>&#233; feio. e todo mundo est&#225; olhando.</code></p><h3>e agora?</h3><p>ver o dia das m&#227;es seguir como uma das datas mais lucrativas do ano, enquanto a maternidade continua empurrando milh&#245;es de mulheres para fora do mercado ou para a informalidade, n&#227;o &#233; mais algo que d&#225; para engolir em sil&#234;ncio. a gente j&#225; mostrou os dados da penalidade materna, j&#225; ouviu o que isso faz na pele.</p><p>o pr&#243;ximo passo &#233; tirar a maternidade do lugar da homenagem ocasional e traz&#234;&#8209;la pro centro da conversa sobre:</p><ol><li><p><code>pol&#237;tica de trabalho,</code></p></li><li><p><code>modelo de produtividade,</code></p></li><li><p><code>crit&#233;rio de valor,</code></p></li><li><p><code>e, principalmente, justi&#231;a racial e de g&#234;nero.</code></p></li></ol><p>e isso passa por:</p><ol><li><p><code>redes de apoio reais, n&#227;o terceiriza&#231;&#227;o infinita para outra mulher;</code></p></li><li><p><code>flexibilidade com limite, n&#227;o sobrecarga travestida de benef&#237;cio;</code></p></li><li><p><code>licen&#231;a e creche como direito, n&#227;o favor;</code></p></li><li><p><code>revis&#227;o de metas e formas de medir performance;</code></p></li><li><p><code>lideran&#231;a que considera quem cuida;</code></p></li><li><p><code>pol&#237;ticas que partem do recorte de ra&#231;a e classe, porque n&#227;o h&#225; solu&#231;&#227;o real se as m&#227;es negras continuarem concentrando o desemprego, a precariza&#231;&#227;o e o trabalho invis&#237;vel.</code></p></li></ol><p>no fim, &#233; um convite para marcas, empresas e pessoas com poder de decis&#227;o trocarem o &#8220;parab&#233;ns, m&#227;e&#8221; por uma pergunta mais honesta:<br><strong>que estruturas eu estou ajudando a manter e quais eu estou disposta a mudar para que, antes de tudo, essa m&#227;e possa existir como mulher inteira &#8212; todos os dias do ano, dentro e fora do trabalho?</strong></p><p>se voc&#234; tem poder de decis&#227;o, comece pela sua pr&#243;pria empresa.<br>se voc&#234; &#233; m&#227;e, que esse conte&#250;do sirva menos como cobran&#231;a e mais como lembrete: o problema n&#227;o &#233; voc&#234;. &#233; um sistema que a gente pode &#8212; e precisa &#8212; reescrever.</p><div><hr></div><p><strong>&#8220;o mercado odeia as m&#227;es&#8221;</strong> &#233; uma colabora&#231;&#227;o criativa, intelectual e editorial entre <strong><a href="https://www.linkedin.com/in/lysilva/">ly takai</a></strong> e <strong><a href="https://www.linkedin.com/in/oicatita/">catita silva</a></strong>, envolvendo pesquisa, curadoria, entrevistas, dire&#231;&#227;o criativa, desenvolvimento conceitual e edi&#231;&#227;o autoral.</p><p>todo o material produzido nesta s&#233;rie <strong>pode ser referenciado</strong> desde que os <strong>devidos cr&#233;ditos sejam feitos &#224;s autoras.</strong></p><p><strong>n&#227;o autorizamos reprodu&#231;&#227;o integral</strong>, c&#243;pias,<strong> prints com remo&#231;&#227;o de cr&#233;ditos</strong>, replica&#231;&#245;es ou redistribui&#231;&#227;o do conte&#250;do sem a<strong> devida refer&#234;ncia e autoriza&#231;&#227;o pr&#233;via.</strong></p><p><strong><a href="https://www.instagram.com/p/DX9rxqPjai_/?img_index=1">#post 1 - o mercado odeia as m&#227;es</a></strong></p><p><strong><a href="https://www.instagram.com/p/DYKLRxcNy08/">#post 2 - maternidade e carreira em primeira pessoa</a></strong></p><p><strong><a href="https://www.instagram.com/p/DYM8MInDS_L/?img_index=1">#post 3 - m&#227;e &#233; m&#227;e fora do dia das m&#227;es</a></strong></p><p><strong><a href="https://conversasparalelas.substack.com/p/o-mercado-odeia-as-maes">#conversas paralelas - o mercado odeia as m&#227;es</a></strong></p><p><strong><a href="https://catita.substack.com/p/comenta-catita-comenta-7">#comenta, catita, comenta - o mercado odeia as m&#227;es</a></strong></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#74 seu autocentramento é o maior inimigo da sua criatividade]]></title><description><![CDATA[comenta, catita, comenta #6]]></description><link>https://catita.substack.com/p/seu-autocentramento-e-o-maior-inimigo</link><guid isPermaLink="false">https://catita.substack.com/p/seu-autocentramento-e-o-maior-inimigo</guid><dc:creator><![CDATA[catita silva]]></dc:creator><pubDate>Tue, 14 Apr 2026 21:35:58 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!8W41!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6e4712c2-d987-4857-937c-b6f609123f5b_4997x3331.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!8W41!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6e4712c2-d987-4857-937c-b6f609123f5b_4997x3331.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!8W41!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6e4712c2-d987-4857-937c-b6f609123f5b_4997x3331.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!8W41!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6e4712c2-d987-4857-937c-b6f609123f5b_4997x3331.jpeg 848w, 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data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/6e4712c2-d987-4857-937c-b6f609123f5b_4997x3331.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:971,&quot;width&quot;:1456,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:3883003,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:false,&quot;topImage&quot;:true,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://comentacatitacomenta.substack.com/i/194233057?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6e4712c2-d987-4857-937c-b6f609123f5b_4997x3331.jpeg&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" 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class="callout-block" data-callout="true"><p><code>&#8220;n&#227;o &#233; apenas voc&#234; que precisa se desenvolver; as pessoas e os projetos que voc&#234; toca tamb&#233;m precisam se desenvolver&#8221;,</code></p></div><p>a premissa &#233; que a nossa criatividade floresce, de fato, na conex&#227;o com o outro. tenho coletado cada vez mais dados emp&#237;ricos, tamb&#233;m para al&#233;m de refer&#234;ncias, que provam que ficar preso na pr&#243;pria perspectiva, nas pr&#243;prias necessidades e refer&#234;ncias cria um ciclo que limita a expans&#227;o do repert&#243;rio e, consequentemente, a qualidade do que se entrega e do que se recebe.</p><p>na experi&#234;ncia de quem j&#225; trabalhou com pelo menos uma centena de criadores, criativos e <em>voices</em> de todos os nichos, os maiores erros criativos e de posicionamento foram cometidos por aqueles mais focados em si mesmos. quem s&#243; admira &#8212; ou critica &#8212; o pr&#243;prio trabalho e n&#227;o se permite observar outros formatos, t&#233;cnicas, culturas, vis&#245;es ou vieses restringe a pr&#243;pria evolu&#231;&#227;o, o pr&#243;prio amadurecimento e a capacidade de gerar impacto. quando profissionais se fecham em suas bolhas autorreferenciadas, consumindo apenas o que valida suas pr&#243;prias ideias e sem abertura para o novo e para o diferente, perdem a constru&#231;&#227;o que s&#243; se estabelece no coletivo.</p><p>a bagagem emocional e cultural que constru&#237;mos com cada (con)viv&#234;ncia &#233; fundamental para entender as nuances, as necessidades das pessoas e as pr&#243;prias complexidades do mundo ao redor &#8212; e s&#227;o muitas. &#233; dessa disposi&#231;&#227;o genu&#237;na de se colocar no lugar do outro e de aprender com outras experi&#234;ncias que a gente produz o que nos alimenta intelectualmente. o autocentramento, por outro lado, ergue barreiras, impede a empatia e sufoca a capacidade de inovar com profundidade. nossa bolha pode, sim, nos cegar para realidades e oportunidades.</p><p>para isso, outra reflex&#227;o tamb&#233;m &#233; determinante:</p><div class="callout-block" data-callout="true"><p><code>&#8220;erra muito quem n&#227;o tem consci&#234;ncia &#8212; de classe, ra&#231;a e g&#234;nero &#8212; porque vai s&#243; girar no pr&#243;prio eixo e n&#227;o vai perceber que tem comandos diferentes no jogo.&#8221;</code></p></div><p>a falta dessa consci&#234;ncia faz com que o indiv&#237;duo n&#227;o compreenda que seus problemas n&#227;o s&#227;o apenas pessoais, mas estruturais, perpetuando o mesmo sistema que provoca esse bloqueio. ciclo repetido. ciclo intermin&#225;vel.</p><p>para romper com esse ciclo do autocentramento, &#233; determinante cultivar a curiosidade pelo mundo exterior, pelas diversas formas de express&#227;o, pelas diferentes perspectivas; expandir o repert&#243;rio para al&#233;m do nicho e se conectar com pessoas &#8212; e ideias &#8212; que desafiam suas convic&#231;&#245;es.</p><p>o desenvolvimento do nosso trabalho est&#225; intrinsecamente ligado ao desenvolvimento do ecossistema que buscamos impactar. mas, antes, precisamos chegar nele. n&#227;o parece t&#227;o &#243;bvio?</p><p><code>fric&#231;&#245;es:</code></p><ol><li><p><a href="https://hipreplacement.substack.com/p/hip-replacement-ep50-chris-beer">a imperfei&#231;&#227;o &#233; inerentemente mais atraente</a></p></li><li><p><a href="https://tiradopapel.substack.com/p/leia-antes-de-marco-se-possivel">ser viajante na maionese num mundo que infantiliza o l&#250;dico e &#233; viciado em produtividade &#233; um desafio gigante</a></p></li><li><p><a href="https://andjelicaaa.substack.com/p/the-golden-era-of-creativity">o lado ca&#243;tico da criatividade reside na natureza humana e complexa do processo criativo. o resultado da criatividade pode ser copiado, mas a complexidade e a imprevisibilidade do ato criativo, n&#227;o</a></p></li><li><p><a href="https://www.instagram.com/p/DWB0LqiDWsp/?img_index=1">a desordem n&#227;o &#233; uma falha. a desordem &#233; uma condi&#231;&#227;o.</a></p></li><li><p><a href="https://amzn.to/4sAHDlx">empobrecidos no discurso, na linguagem e nas atitudes, vemos as consequ&#234;ncias nefastas de um modelo mental estritamente intelectual catalisado pelos algoritmos.</a></p></li><li><p><a href="https://anuguptany.substack.com/p/three-simple-habits-for-2026">para tudo: (1) confian&#231;a na vida, (2) meditar diariamente e (3) ter boa vontade</a></p></li></ol>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#73 das tribos urbanas às 'tribes' do sxsw 2026]]></title><description><![CDATA[comenta, catita, comenta #5]]></description><link>https://catita.substack.com/p/das-tribos-urbanas-as-tribes-do-sxsw</link><guid isPermaLink="false">https://catita.substack.com/p/das-tribos-urbanas-as-tribes-do-sxsw</guid><dc:creator><![CDATA[catita silva]]></dc:creator><pubDate>Tue, 17 Mar 2026 17:03:21 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ddq-!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fba0be66e-51ce-4037-a24e-15f513166d3e_800x800.webp" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>em 2008, no projeto de mestrado, eu me debru&#231;ava sobre as sociabilidades das tribos juvenis urbanas e me amparava, pra isso, em <a href="https://www.scielo.br/j/mana/a/WfkbJzPmYNdfNWxpyKpcwWj/?format=html&amp;lang=pt">georg simmel</a> e os <em>c&#237;rculos sociais</em> como malha identit&#225;ria, em <a href="https://amzn.to/4uDIUL4">michel maffesoli</a> e sua <em>neotribaliza&#231;&#227;o</em> como fuga afetiva do individualismo, e em <a href="https://amzn.to/4bnPNXW">gilberto velho</a>, que me ajudava a entender as <em>identidades juvenis transitando entre o universal e o tribal</em>. no tecido urbano cabia o experimental e esses jovens eram, sobretudo, questionadores estridentes das institui&#231;&#245;es. <em>rappers</em>, <em>emos</em>, <em>punks</em> e <em>skinheads</em> estavam ali e faziam fric&#231;&#227;o logo abaixo das camadas mais superficiais da p&#243;s-modernidade. fric&#231;&#227;o que a <a href="https://schedule.sxsw.com/2026/events/PP1150289">susan mcpherson</a> prop&#244;s exercitar no SXSW em 2026.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ddq-!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fba0be66e-51ce-4037-a24e-15f513166d3e_800x800.webp" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ddq-!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fba0be66e-51ce-4037-a24e-15f513166d3e_800x800.webp 424w, 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">arte do ilustrador taiwan&#234;s-americano josh cochran para o SXSW 2026, um <em>remix</em> de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=73lj5qJbrms">ALL TOGETHER NOW</a>, m&#250;sica dos beatles e tema desse ano do evento, que completa 40 anos.</figcaption></figure></div><p>dezoito (!!!) anos depois, acompanhando - daqui - o festival que se encerra amanh&#227; em austin, uma conversa em especial me chamou aten&#231;&#227;o: <strong>o resgate do fio social como centro das discuss&#245;es e a proposta universal de reconstruir la&#231;os em um mundo hiperconectado e muito fragmentado</strong>. <a href="https://schedule.sxsw.com/2026/events/PP1150698">greg rosenbaum</a>, o novo curador, abriu o evento falando sobre &#8220;conex&#245;es humanas genu&#237;nas contra o isolamento digital&#8221;, e a conversa sobre &#8220;sa&#250;de social&#8221;, puxada j&#225; na abertura do <strong>ano passado</strong> por <em>kasley killam</em>, se apresenta agora como estrutura essencial para cria&#231;&#227;o e manuten&#231;&#227;o de comunidades sustent&#225;veis. nada de novo, n&#233;? mas por que diabos essa conversa est&#225;, ent&#227;o, no centro do maior festival de inova&#231;&#227;o e futuro do mundo? achei que retomando as refer&#234;ncias, conseguiria entender melhor.</p><p>a <a href="https://schedule.sxsw.com/2026/events/PP1150198?_gl=1*197ylle*_gcl_au*MTM2MjM5NzE5OC4xNzczNzA2NTU1*_ga*NjU5NTQwODQzLjE3NzM3MDY1NTU.*_ga_RLXXHDCCN4*czE3NzM3MDY1NTQkbzEkZzEkdDE3NzM3MDY5OTkkajMzJGwwJGgw">pr&#243;pria kasley</a> e <a href="https://schedule.sxsw.com/2026/events/PP1149187?_gl=1*197ylle*_gcl_au*MTM2MjM5NzE5OC4xNzczNzA2NTU1*_ga*NjU5NTQwODQzLjE3NzM3MDY1NTU.*_ga_RLXXHDCCN4*czE3NzM3MDY1NTQkbzEkZzEkdDE3NzM3MDY5OTkkajMzJGwwJGgw">jennifer wallace</a>, em pain&#233;is desse ano, teceram &#8220;<em>mattering</em>&#8221; &#8211; sentir-se e fazer-se essencial para o outro &#8211; como ant&#237;doto &#224; solid&#227;o. ecoando o hedonismo tribal de maffesoli, a sa&#250;de social, nesse caso, emerge como atualiza&#231;&#227;o das sociabilidades no campo institucional, e o que antes era est&#233;tica, f&#250;ria ou <em>estar junto &#224; toa (socialidades)</em>, agora se torna suporte m&#250;tuo em tempos de exaust&#227;o. lembremos que <a href="https://www.who.int/teams/social-determinants-of-health/demographic-change-and-healthy-ageing/social-isolation-and-loneliness">a OMS apontou a solid&#227;o e o isolamento social como amea&#231;as urgentes &#224; sa&#250;de p&#250;blica global</a>.</p><p><a href="https://schedule.sxsw.com/2026/events/PP1162575">delph.ai</a>, uma IA sint&#233;tica que esteve no palco, treinada pelo pensamento de mais de 150 futuristas, mostrou que adaptabilidade, imagina&#231;&#227;o e <strong>comunidade</strong> s&#227;o premissas para <strong>nichos</strong> criativos, resilientes e estrat&#233;gicos, seja em redes humanas ou em redes h&#237;bridas humano-IA. se em tantas conversas a IA aparece como causa dos problemas, aqui os sintomas podem ser amenizados quando m&#225;quina e humanidade conversam ou mesmo disputam espa&#231;o. dialogia, ali&#225;s, fundamental pra que ambas n&#227;o sejam superadas. o que simmel via nas intersec&#231;&#245;es dos c&#237;rculos sociais agora fabrica a pr&#243;pria estrutura social. meio ir&#244;nico que a diferencia&#231;&#227;o se torne norma.</p><p>dois projetos de impacto social que mentorei nos &#250;ltimos anos - creators pelo clima e periferia que fala - fomentam narrativas jovens perif&#233;ricas para gerar impacto ambiental, construir o tal <em>mattering</em> real e agregar valor ao mundo. eles atualizam a experi&#234;ncia da <em>gratifica&#231;&#227;o afetiva</em> do simmel, adicionando ag&#234;ncia (um pouco de foucault n&#227;o faz mal a ningu&#233;m). &#233; um sentimento muito diferente do que aquele que o spielberg <a href="https://schedule.sxsw.com/2026/events/PP1150590?_gl=1*1k4z789*_gcl_au*MTM2MjM5NzE5OC4xNzczNzA2NTU1*_ga*NjU5NTQwODQzLjE3NzM3MDY1NTU.*_ga_RLXXHDCCN4*czE3NzM3MDY1NTQkbzEkZzEkdDE3NzM3MDc1MDgkajU5JGwwJGgw">evocou</a>, ao falar do cinema como uma &#8220;experi&#234;ncia coletiva na escurid&#227;o&#8221;? creio que n&#227;o. fazer ou criar sentido, se conectar. mas por que o cineasta faria esse discurso ao inv&#233;s de uma ode &#224; criatividade, &#224; imagina&#231;&#227;o, &#224; emo&#231;&#227;o?</p><p>no fim das contas, quando a gente fala de nicho ou comunidade, est&#225; falando da forma contempor&#226;nea que as velhas tribos encontraram pra continuar existindo. a pr&#243;pria <em>creator economy</em> continua sendo um dos temas transversais no SXSW justamente porque marcas de nicho, pequenos projetos de m&#237;dia, <em>labels</em> min&#250;sculos de moda e comunidades organizadas em torno de um assunto muito espec&#237;fico s&#227;o hoje um dos poucos lugares em que algu&#233;m ainda se sente visto de verdade. ser&#227;o as &#8220;farsas do disfarce&#8221;, do <a href="https://pt.scribd.com/document/748882675/PAIS-Jose-Machado-Buscas-de-si-expressividades-e-identidades-juvenis-Culturas-jovens-novos-mapas-do-afeto?language_settings_changed=Portugu%C3%AAs">jos&#233; machado pais</a>, como mecanismo de resist&#234;ncia identit&#225;ria? ser&#225; a consolida&#231;&#227;o das intersec&#231;&#245;es dos c&#237;rculos? na IA elas j&#225; s&#227;o estrutura, n&#227;o esque&#231;amos. n&#227;o tem nada de &#8220;novo&#8221; nisso como fen&#244;meno sociol&#243;gico, mas a <strong>escala algor&#237;tmica</strong> em que isso opera agora &#233; outra, e <strong>minha hip&#243;tese &#233; que isso torne o assunto pujante</strong>.</p><p>talvez o trabalho seja esse: olhar pro nicho com menos desd&#233;m de &#8220;coisa pequena&#8221; e mais cuidado como laborat&#243;rio social, com an&#225;lise de gente grande, ci&#234;ncia. cada marca de nicho, cada microcomunidade, cada newsletter como essa minha perdida na caixa de entrada &#233; um desses c&#237;rculos em que a gente negocia pertencimento, diferen&#231;a, afeto e <strong>fric&#231;&#227;o</strong> &#8211; agora tamb&#233;m algor&#237;tmica. n&#227;o &#233; novidade, mas &#233; ali, nessas escalas reduzidas, que a tal sa&#250;de social ganha corpo. o tribal de maffesoli, que antes era estrat&#233;gia contra fragmenta&#231;&#227;o, <strong>se</strong> <strong>remixa nas plataformas</strong>. algo pr&#243;ximo do que a professora ilse scherer-warren <a href="https://amzn.to/4sgn1Qf">afirmou</a> quando conceituou suas redes como formas de organiza&#231;&#227;o e de a&#231;&#227;o coletiva: m&#250;ltiplos atores, identidades diversas e lutas por direitos atravessando fronteiras institucionais - agora tamb&#233;m <strong>algor&#237;tmicas</strong>.</p><h1>ALL TOGETHER NOW?</h1><p><em>mattering</em>, essa velha conversa nova, vai se tornar a tend&#234;ncia da vez nos keynotes das tais <em>estrat&#233;gias</em> <em>humanizadas</em>. que bom, mas isso n&#227;o &#233; t&#227;o simples quanto &#233; atraente. sigo curiosa e atenta.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#71 criei um laboratório de narrativas]]></title><description><![CDATA[comenta, catita, comenta #4]]></description><link>https://catita.substack.com/p/criei-um-laboratorio-de-narrativas</link><guid isPermaLink="false">https://catita.substack.com/p/criei-um-laboratorio-de-narrativas</guid><dc:creator><![CDATA[catita silva]]></dc:creator><pubDate>Thu, 18 Dec 2025 00:38:48 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!zgri!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff3fe8c1d-b101-4f48-aa63-bf2c1d480a4c_800x1000.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!zgri!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff3fe8c1d-b101-4f48-aa63-bf2c1d480a4c_800x1000.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!zgri!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff3fe8c1d-b101-4f48-aa63-bf2c1d480a4c_800x1000.jpeg 424w, 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" 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<em>mantenha a paix&#227;o pela sua causa, mas abra m&#227;o das suas ideias sobre ela</em>. <em>esteja pronta para abrir m&#227;o das suas ideias</em>. porque a gente tem que estar pronta para falhar, para n&#227;o dar certo, para entender o que &#233; melhor ou n&#227;o em um determinado momento. e esse processo de colocar uma coisa autoral no mundo tem muito disso. tem muito de valida&#231;&#227;o, de sonho, de experimento, de testes, de cr&#237;ticas, de muita autocr&#237;tica e de um tanto de vulnerabilidade.</p><p>acho que &#233; por isso que eu demorei tanto para colocar no mundo o meu <strong>laborat&#243;rio de narrativas</strong>. porque eu me apaixonei por ele no momento em que ele passou a existir nos meus sonhos, nos meus estudos, na minha <em>cabe&#231;ola</em>, nos meus projetos. desde que eu comecei a desenh&#225;-lo, em mar&#231;o, ele estava l&#225; no meu <em>trello</em>, esperando o seu momento. <strong>eu sabia que ele iria mudar muita coisa na minha forma de pensar, trabalhar, estudar.</strong> <strong>ele mostrava que aquilo que, um pouco intuitivamente e outro tanto intencionalmente, eu vinha estudando nos &#250;ltimos anos, tinha um porqu&#234;.</strong></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Td2b!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F58e8a272-99b5-468f-a451-3f17d0254893_800x533.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Td2b!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F58e8a272-99b5-468f-a451-3f17d0254893_800x533.jpeg 424w, 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pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">foto: fanette guilloud</figcaption></figure></div><p>&#233; um pouco do que, durante o laborat&#243;rio, afirmo: <em>todo criador, criativo, voice, toda pessoa que se prop&#245;e a falar e criar algo &#233; uma antena cultural. porque, se ela se prop&#245;e a criar algo &#233; em resposta a algo; &#233; em resposta a algo do seu tempo, &#233; em resposta ao pr&#243;prio esp&#237;rito do tempo</em>. e o <strong>laborat&#243;rio de narrativas</strong>, para mim, tem isso. a minha anteninha cultural estava ligada, eu estava estudando, estava me preparando, mas, obviamente, como uma grande parte das das profissionais mulheres da minha gera&#231;&#227;o, a s&#237;ndrome da impostora adia - quando n&#227;o manda para o escanteio - os nossos sonhos.</p><p>ent&#227;o, entre muitas crises de ansiedade e choro, decidi, em novembro, colocar ele no mundo. e coloquei. ent&#227;o, o que estava l&#225; matutando, descansando, guardadinho, agora &#233; meu projeto pessoal no mundo, &#233; meu projeto autoral no mundo, nascido inteirinho nas minhas entranhas. &#233; meu novo projeto de trabalho. e o <strong>laborat&#243;rio de narrativas</strong> come&#231;ou com um <em>workshop</em> pensando cultura, semi&#243;tica e tend&#234;ncias, e pensando como a transversalidade dessas tr&#234;s &#225;reas &#233; importante para a gente pensar e resgatar o nosso repert&#243;rio, as nossas refer&#234;ncias, <strong>pensar mais intencionalmente</strong> sobre eles e nos colocarmos mais como recept&#225;culos e <strong>nos colocarmos mais como pensadores da pr&#243;pria pr&#225;xis</strong>. as duas primeiras turmas aconteceram entre o final novembro e o in&#237;cio de dezembro, e foram lindas. <strong>foi lindo ver dois grupos de mulheres maravilhosas, criativas, interessantes e interessadas discutindo, compartilhando, ouvindo e reverberando tudo o que a gente conversou durante aquelas quase quatro horas de cada encontro.</strong></p><p>&#233; isso que eu queria contar hoje: que <strong>coloquei um projeto pessoal no mundo. um projeto autoral, criado por mim, registrado por mim e com uma metodologia criada por mim, que est&#225; sendo validado e que vai ser sempre aperfei&#231;oado.</strong></p><p><strong>ele est&#225; no mundo.</strong></p><div class="embedded-publication-wrap" data-attrs="{&quot;id&quot;:10170900,&quot;embedding_publication_id&quot;:353185,&quot;name&quot;:&quot;laborat&#243;rio de 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href="https://laboratoriodenarrativas.substack.com?utm_source=substack&amp;utm_campaign=publication_embed&amp;utm_medium=web&amp;embedding_publication_id=353185"><img class="embedded-publication-logo" src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!d8ZA!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7c200d9f-dcc2-476b-a306-1c0d9b69b4ad_1179x1179.jpeg" width="56" height="56" style="background-color: rgb(255, 255, 255);"><span class="embedded-publication-name">laborat&#243;rio de narrativas</span><div class="embedded-publication-hero-text">parar e olhar para as suas refer&#234;ncias, pensar nelas, pausar pra entender de onde elas v&#234;m e onde elas impactam sua intelig&#234;ncia criativa.</div><div class="embedded-publication-author-name">Por catita silva</div></a><form class="embedded-publication-subscribe" method="GET" action="https://laboratoriodenarrativas.substack.com/subscribe?embedding_publication_id=353185"><input type="hidden" name="source" value="publication-embed"><input type="hidden" name="autoSubmit" value="true"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail..."><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"></form></div></div><p><code>e est&#225; dispon&#237;vel para criativos, para criadores, para voices; est&#225; dispon&#237;vel para ser desenvolvido com equipes criativas, estrat&#233;gicas, para amadurecimento de times, para a &#225;rea de cultura e pessoas.</code></p><p>e, de vez em quando, ele tamb&#233;m vem com uma turma nova para a gente pensar o mundo, pensar a nossa pr&#225;tica, amadurecer a nossa pr&#225;tica e trocar mais sobre ela. porque, <strong>nessa era de tantos ru&#237;dos e de a gente se perder um pouco das nossas refer&#234;ncias, voltar um pouco para dentro e ver que a gente &#233; constru&#237;do por tanta coisa massa &#233; muito legal</strong>.</p><p>eu estou muito feliz com o meu laborat&#243;rio de narrativas. <a href="mailto:oiiicatita@gmail.com">me chama</a> se quiser mais sobre ele.</p><p>e um spoiler s&#243; pra quem chegou at&#233; aqui: o pr&#243;ximo m&#243;dulo - j&#225; em constru&#231;&#227;o - ser&#225; sobre <code>processos criativos</code>. j&#225; <a href="https://laboratoriodenarrativas.substack.com">segue aqui</a> pra saber em primeira m&#227;o.</p><div class="embedded-publication-wrap" data-attrs="{&quot;id&quot;:10170900,&quot;embedding_publication_id&quot;:353185,&quot;name&quot;:&quot;laborat&#243;rio de narrativas&quot;,&quot;logo_url&quot;:&quot;https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!d8ZA!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7c200d9f-dcc2-476b-a306-1c0d9b69b4ad_1179x1179.jpeg&quot;,&quot;base_url&quot;:&quot;https://laboratoriodenarrativas.substack.com&quot;,&quot;hero_text&quot;:&quot;parar e olhar para as suas refer&#234;ncias, pensar nelas, pausar pra entender de onde elas 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class="embedded-publication-hero-text">parar e olhar para as suas refer&#234;ncias, pensar nelas, pausar pra entender de onde elas v&#234;m e onde elas impactam sua intelig&#234;ncia criativa.</div><div class="embedded-publication-author-name">Por catita silva</div></a><form class="embedded-publication-subscribe" method="GET" action="https://laboratoriodenarrativas.substack.com/subscribe?embedding_publication_id=353185"><input type="hidden" name="source" value="publication-embed"><input type="hidden" name="autoSubmit" value="true"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail..."><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#68 esse texto não é sobre pesquisa de moda]]></title><description><![CDATA[comenta, catita, comenta #3]]></description><link>https://catita.substack.com/p/esse-texto-nao-e-sobre-pesquisa-de</link><guid isPermaLink="false">https://catita.substack.com/p/esse-texto-nao-e-sobre-pesquisa-de</guid><dc:creator><![CDATA[catita silva]]></dc:creator><pubDate>Thu, 30 Oct 2025 15:07:22 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XIMN!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F68120c20-35b5-42f3-b931-f4e84f8aef4b_1170x650.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>outro dia vi um v&#237;deo no tiktok de uma mo&#231;a, ao que me parece, modelo e dona de uma marca de roupas, em que ela reclamava de outra profissional do mercado que analisa e faz cr&#237;ticas a marcas que baseiam sua estrat&#233;gia em copiar modelos de marcas gringas. depois eu falo sobre a profissional maravilhosa de quem a sujeita reclamava. mas ela falava sobre pesquisa de moda. fiquei assistindo - e passando raiva - justamente porque percebi que ela falava de pesquisa, um dos temas que est&#227;o no meu IP.</p><p>entre outras coisas, a tal mo&#231;a afirmava que <em>&#8220;se voc&#234; faz pesquisa de moda e n&#227;o olha para o mesmo lugar que os outros, est&#225; fazendo pesquisa errado&#8221;</em>. doeu essa.</p><p>logo depois de assistir ao v&#237;deo, entrei no banho e passei a refletir sobre isso e sobre como existe uma compreens&#227;o equivocada acerca do que &#233; pesquisa, tend&#234;ncia, comportamento e cultura. esses conceitos foram incorporados ao vocabul&#225;rio de forma muito r&#225;pida, acelerada principalmente pelas redes sociais e pelo excesso de conte&#250;do, e tornaram-se comuns. j&#225; viu a quantidade de gente que se autodenomina especialista nesses temas? a fez um <a href="https://www.instagram.com/p/DQJ--TFACZ4/">v&#237;deo sobre cultura</a> esses dias cuja cr&#237;tica faz essa s&#237;ntese.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XIMN!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F68120c20-35b5-42f3-b931-f4e84f8aef4b_1170x650.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XIMN!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F68120c20-35b5-42f3-b931-f4e84f8aef4b_1170x650.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XIMN!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F68120c20-35b5-42f3-b931-f4e84f8aef4b_1170x650.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XIMN!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F68120c20-35b5-42f3-b931-f4e84f8aef4b_1170x650.png 1272w, 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" 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para esses, faz sentido acompanhar de perto as grandes marcas, vitrines, semanas de moda, desfiles.</p><blockquote><p>por&#233;m, quem cria &#8212; marcas autorais, criadores &#8212; precisa ampliar as refer&#234;ncias, observar o mundo, buscar inspira&#231;&#245;es pessoais, refletir sobre o pr&#243;prio dna, compreender os valores que direcionam a marca, cultivar o olhar para sua cultura, o contexto, a comunidade e suas fontes de inspira&#231;&#227;o.</p><p>e s&#243; depois desse olhar interno, &#233; poss&#237;vel dialogar com o que est&#225; fora: identificar tend&#234;ncias globais, pesquisar comportamentos, analisar padr&#245;es, ler relat&#243;rios, observar vitrines, reparar no que as pessoas usam nas ruas, reconhecer valores sociais, viv&#234;ncias cotidianas, pol&#237;tica e todo o contexto &#8212; incluindo a&#237; o que grandes marcas est&#227;o fazendo.</p><p>portanto, para criar algo significativo, &#233; essencial investigar primeiro os pr&#243;prios referenciais antes de dialogar com aquilo que j&#225; &#233; tend&#234;ncia ou refer&#234;ncia consolidada. &#233; indispens&#225;vel bagagem cultural, conhecimento, consci&#234;ncia da hist&#243;ria de onde a marca nasce, dos valores pr&#243;prios, conhecer m&#250;sica, arte, clima, entender o entorno, criar a partir do que conduz essa identidade.</p><p>caso contr&#225;rio, temos apenas uma loja de roupas, sem projeto autoral.</p></blockquote><p>desenvolver moda &#8212; ou qualquer produto vinculado a pesquisas de comportamento, cultura e tend&#234;ncias &#8212; &#233; diferente de simplesmente replicar o que j&#225; existe.</p><p>e o equ&#237;voco sobre o que &#233; criar se repete em tantas outras &#225;reas. criar n&#227;o &#233; seguir f&#243;rmulas das redes ou reproduzir o que outros profissionais j&#225; realizam. <strong>criar &#233; analisar a bagagem acumulada, selecionar o que representa a mensagem que se quer transmitir, alinhar aos valores, &#224; cultura que se prop&#245;e criar, &#224; comunidade que se deseja construir.</strong></p><p><strong>criar n&#227;o &#233; olhar para as mesmas refer&#234;ncias. &#233; um processo de ess&#234;ncia, intensidade, de mat&#233;ria bruta.</strong></p><p>muitos profissionais criativos t&#234;m, hoje, voltado o olhar para partes do brasil antes ignoradas, mergulhando em pesquisas que at&#233; pouco tempo n&#227;o aconteciam.</p><p>at&#233; uns quinze anos atr&#225;s, a zona franca de manaus, por exemplo, era uma abstra&#231;&#227;o distante para mim, que vim do sul do pa&#237;s. n&#227;o entendia o significado daquele contexto e da inova&#231;&#227;o produzida ali; assim como ainda existem muitos lugares de cuja riqueza nada ou muito pouco ouvimos falar.</p><p>o criador observa seu pr&#243;prio percurso, investiga refer&#234;ncias e valores &#8212; seja no brasil ou fora. n&#227;o importa se as influ&#234;ncias v&#234;m da cultura n&#243;rdica, norte-americana ou latino-americana; todas t&#234;m legitimidade desde que conectadas a esses valores.</p><p>afirma&#231;&#245;es como a dessa mo&#231;a, de que criar &#233; imitar modelos e pesquisar nos mesmos lugares s&#227;o equivocadas. isso n&#227;o &#233; cria&#231;&#227;o de moda, &#233; mera reprodu&#231;&#227;o comercial.</p><p>nesse contexto, profissionais como a - que era o alvo da tal reclama&#231;&#227;o - costumam ser <em>persona non grata</em> das &#8220;&#8221;&#8220;marcas&#8221;&#8220;&#8220; que apenas abriram suas <a href="https://www.instagram.com/camifashiontips_parecidinhos/">lojinhas &#8220;</a><em><a href="https://www.instagram.com/camifashiontips_parecidinhos/">ctrl c &amp; ctrl v&#8221;</a></em>, enquanto evidencia inconsist&#234;ncias e acompanha quem realmente cria: observando qualidade, responsabilidade e a cadeia produtiva.</p><p>podemos observar tamb&#233;m o trabalho da <a href="https://www.instagram.com/isabela.raposeiras">raposeiras</a>, no <a href="https://www.instagram.com/coffeelab_br/">coffee lab</a>, h&#225; mais de vinte anos fazendo pesquisa profunda e constante, curadoria, visitando planta&#231;&#245;es, conhecendo o caf&#233; desde o gr&#227;o, aprendendo com produtores no interior da bahia, esp&#237;rito santo, minas gerais, s&#227;o paulo, buscando caf&#233;s especiais e cadeias respons&#225;veis.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!DcOx!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F449826e7-a6e9-4c6c-9cff-60388347509c_1536x1019.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!DcOx!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F449826e7-a6e9-4c6c-9cff-60388347509c_1536x1019.jpeg 424w, 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">catia campaina, mineira, costureira, para fashion revolution brasil</figcaption></figure></div><p>h&#225; pouco mais de uma d&#233;cada, uma campanha da <a href="https://www.fashionrevolution.org/brazil-blog/quem-fez-minhas-roupas-e-um-primeiro-passo-na-jornada-da-sustentabilidade-na-moda/">fashion revolution</a> questionou <em>&#8220;quem faz suas roupas?&#8221;</em>, em que estimulava as pessoas a questionarem as marcas sobre seus processos e origens. inspirado nessa pergunta, o coffee lab, criou esse ano um manifesto que tamb&#233;m questionava: <em>&#8220;<a href="https://www.instagram.com/p/DLiF3pDgZ5L/">de onde vem o seu caf&#233;?</a>&#8221;</em>. investigar as origens das refer&#234;ncias e valores &#233; fundamental.</p><p>e ent&#227;o, depois de consolidar esse entendimento interno, que &#233; muito complexo, &#233; que o criador observa tend&#234;ncias de consumo, valores globais, pol&#237;tica, economia, geografia e geopol&#237;tica, com maior clareza sobre os princ&#237;pios que orientam sua atua&#231;&#227;o.</p><p>por isso, modelos, pr&#225;ticas e representatividade est&#227;o mudando nos espa&#231;os criativos: existem pessoas dispostas a explorar novos territ&#243;rios. o norte, por exemplo, est&#225; finalmente ganhando destaque que merece na moda, na m&#250;sica, na ind&#250;stria criativa. regi&#245;es do sudeste e do sul, por tanto tempo reconhecidas pelos criadores, raramente olhavam para outros lugares que, agora, orientados por refer&#234;ncias, for&#231;a cultural e art&#237;stica, est&#227;o compartilhando suas produ&#231;&#245;es de moda, arquitetura, artes, m&#250;sica.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!SkfU!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F95e5957e-83df-4023-8f37-3753ff1f1b0e_973x1280.webp" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!SkfU!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F95e5957e-83df-4023-8f37-3753ff1f1b0e_973x1280.webp 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!SkfU!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F95e5957e-83df-4023-8f37-3753ff1f1b0e_973x1280.webp 848w, 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">marco normando e em&#237;dio contente, da normando, uma das neomarcas brasileiras mais criativas, refinadas e com refer&#234;ncias culturais fortes. os s&#243;cios, criativos (e companheiros) est&#227;o estabelecidos em s&#227;o paulo, mas ambos s&#227;o de bel&#233;m e carregam suas origens com orgulho e criatividade. foto: igor kalinouski para l&#8217;officiel.</figcaption></figure></div><p>o sucesso nacional frequentemente ocorre depois de um grande destaque local, que antes passava despercebido. olhares exteriores sempre ignoraram esses universos. n&#227;o frequentavam mais do que o ver-o-peso e a esta&#231;&#227;o das docas, em bel&#233;m, ou n&#227;o compreendiam nada al&#233;m da f&#225;brica da honda, na zona franca de manaus.</p><p>ao observar como conceitos s&#227;o usados de forma equivocada, percebo que falta refer&#234;ncias verdadeiras &#8212; a bagagem invis&#237;vel que cada pessoa carrega e que orienta tudo: livros, educa&#231;&#227;o, origem, pessoas que servem de exemplo, belezas contempladas, traumas vividos.</p><p>cria&#231;&#227;o n&#227;o acontece olhando para as mesmas tend&#234;ncias. se todos seguem o mesmo caminho, n&#227;o existe cria&#231;&#227;o, mas repeti&#231;&#227;o.</p><div id="youtube2-nJPERZDfyWc" class="youtube-wrap" data-attrs="{&quot;videoId&quot;:&quot;nJPERZDfyWc&quot;,&quot;startTime&quot;:null,&quot;endTime&quot;:null}" data-component-name="Youtube2ToDOM"><div class="youtube-inner"><iframe src="https://www.youtube-nocookie.com/embed/nJPERZDfyWc?rel=0&amp;autoplay=0&amp;showinfo=0&amp;enablejsapi=0" frameborder="0" loading="lazy" gesture="media" allow="autoplay; fullscreen" allowautoplay="true" allowfullscreen="true" width="728" height="409"></iframe></div></div><p>apesar de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=SAfCvMNgLjg&amp;themeRefresh=1">tudo ser um remix</a>, ainda assim existe cria&#231;&#227;o. misturamos elementos da nossa pr&#243;pria bagagem, estrutura e dna. mesmo sem originalidade absoluta &#8212; e gra&#231;as a deus j&#225; superamos a obsess&#227;o pelo discurso de autenticidade &#8212;, esse remix resulta em algo nosso, guiado por valores, gosto, cultura, est&#233;tica, desejos e refer&#234;ncias pr&#243;prias.</p><p>quando n&#227;o encontramos aquilo que queremos ver ou ouvir, criamos. e <strong>s&#243; criamos ao acessar o que h&#225; de mais relevante na pr&#243;pria bagagem</strong>, todos os dias.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#65 da internet discada ao marketing de influência: meu lugar num mundo cronicamente online]]></title><description><![CDATA[comenta, catita, comenta #2]]></description><link>https://catita.substack.com/p/da-internet-discada-ao-marketing</link><guid isPermaLink="false">https://catita.substack.com/p/da-internet-discada-ao-marketing</guid><dc:creator><![CDATA[catita silva]]></dc:creator><pubDate>Tue, 30 Sep 2025 09:53:17 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!428V!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fea5b3656-40cd-41d4-85f4-9c8ec4d90c7d_2861x2847.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="instagram-embed-wrap" data-attrs="{&quot;instagram_id&quot;:&quot;DMTLwNtP5mM&quot;,&quot;title&quot;:&quot;A post shared by @ms.kitt3n&quot;,&quot;author_name&quot;:&quot;ms.kitt3n&quot;,&quot;thumbnail_url&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/__ss-rehost__IG-snapshot-DMTLwNtP5mM.jpg&quot;,&quot;like_count&quot;:null,&quot;comment_count&quot;:null,&quot;profile_pic_url&quot;:null,&quot;follower_count&quot;:null,&quot;timestamp&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:false}" data-component-name="InstagramToDOM"></div><p>no &#250;ltimo fim de semana, me deparei com esse post no instagram e pensei: caramba, isso me contempla 400%! frequentemente, ou&#231;o das pessoas - inclusive e especialmente da minha pr&#243;pria fam&#237;lia - d&#250;vidas sobre o meu trabalho. &#8220;ah, voc&#234; passa muito tempo online, muito tempo no celular, muito tempo na internet&#8221;, dizem, sem entender que esse &#233; exatamente o meu trabalho. mas a verdade &#233; que a minha rela&#231;&#227;o com a internet vai muito al&#233;m de &#8220;passar tempo online&#8221;.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!428V!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fea5b3656-40cd-41d4-85f4-9c8ec4d90c7d_2861x2847.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!428V!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fea5b3656-40cd-41d4-85f4-9c8ec4d90c7d_2861x2847.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!428V!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fea5b3656-40cd-41d4-85f4-9c8ec4d90c7d_2861x2847.png 848w, 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">os cds do AOL distribu&#237;dos no ped&#225;gio da freeway, na volta da praia, com &#8220;milhares&#8221; de horas de acesso gr&#225;tis &#224; internet</figcaption></figure></div><p>desde que a internet surgiu por aqui, pelo final dos anos 90, eu me entendi uma pessoa online. interessada pela cultura que nascia nesse novo espa&#231;o, pela comunica&#231;&#227;o que ela permitia e pelas infinitas possibilidades que se abriam. tive blog desde muito cedo, passei muitos anos escrevendo na internet - nunca deixei de escrever-, explorando e experimentando formatos. estou nas redes sociais desde que elas existem. algu&#233;m lembra de uma rede pr&#233;-orkut chamada hi5? pois &#233;, eu estive l&#225;. depois veio orkut, facebook e, mesmo antes de migrar para essa &#225;rea como profiss&#227;o, j&#225; era algo que me fazia querer fazer parte e entender mais.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!gPO7!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F18c30b3e-300d-4696-81dd-f8f1a353783f_225x225.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!gPO7!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F18c30b3e-300d-4696-81dd-f8f1a353783f_225x225.jpeg 424w, 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class="image-caption">todo mundo tuiteiro rs</figcaption></figure></div><p>mais ativamente, essa rela&#231;&#227;o se intensificou a partir de 2007, com o surgimento do twitter. eu j&#225; tinha terminado a faculdade de hist&#243;ria, atuava como educadora em um projeto social, tava vivendo aquele ano de respiro antes do mestrado e tinha, portanto, todo tempo do mundo. desde o in&#237;cio fiquei apaixonada por aquele espa&#231;o. eram conversas que misturavam o maravilhamento com o mundo, bobagens do dia a dia, memes que nasciam e morriam em quest&#227;o de horas e muita informa&#231;&#227;o (ir)relevante. era o &#8220;olha aqui meu almo&#231;o&#8221; convivendo com &#8220;vou cagar&#8221; e &#8220;discuss&#245;es profundas&#8221; sobre os rumos da sociedade. em 2009, cansei de ficar sozinha no twitter pelas minhas bandas e fiz uma campanha pessoal para levar meus amigos pra l&#225; &#8211; fabr&#237;cio, sara, henrique... eu vivia evangelizando sobre a din&#226;mica daquela rede.</p><p>em 2009, depois de perder meu irm&#227;o, entrei em depress&#227;o e abandonei o mestrado. questionava minhas escolhas profissionais e o impacto delas na minha vida pessoal pela primeira vez. e foi na internet, atrav&#233;s do twitter, entre experi&#234;ncias compartilhadas, flertes, baleiadas e lingerie days, que recebi no ano seguinte uma proposta que mudaria completamente o rumo da minha vida e da minha carreira. a proposta veio de gente que me conheceu no twitter e me viu uma &#250;nica vez na vida. foi um convite para mudar de estado e migrar de carreira, indo trabalhar com o xande, a lu e o thiago, em floripa. foi ali que migrei para a comunica&#231;&#227;o digital. fui trabalhar em uma das primeiras ag&#234;ncias digitais do brasil, atendendo marcas que estavam come&#231;ando a desbravar o universo das redes sociais. era um terreno novo, cheio de desafios e oportunidades. e agora eu fazia parte daquilo.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!xBYY!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2ed9c2d7-3134-4757-8283-48b71b9de9d8_1280x800.webp" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!xBYY!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2ed9c2d7-3134-4757-8283-48b71b9de9d8_1280x800.webp 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!xBYY!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2ed9c2d7-3134-4757-8283-48b71b9de9d8_1280x800.webp 848w, 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pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" 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jornada que me ensinou muito sobre os diferentes lados do mercado e sobre a import&#226;ncia de alinhar prop&#243;sito e trabalho. em 2016, tive um burnout, pedi demiss&#227;o, me dei f&#233;rias em buenos aires, um m&#234;s pra descansar, mas no fim do mesmo ano, decidi dar um novo passo e abrir minha consultoria, a <strong>palavra social</strong>, com a qual atuo at&#233; hoje. foi a forma de colocar em pr&#225;tica toda a experi&#234;ncia e o conhecimento acumulados, oferecendo um olhar estrat&#233;gico e aprofundado para marcas e indiv&#237;duos que buscam relev&#226;ncia no ambiente digital.</p><p>fui tamb&#233;m para o marketing de influ&#234;ncia, na verdade, antes mesmo de ele ser chamado assim. desde que comecei com redes sociais, meu trabalho j&#225; envolvia a constru&#231;&#227;o de comunidades, a identifica&#231;&#227;o de <em>brand lovers</em>, a cria&#231;&#227;o de projetos e campanhas com pessoas relevantes. a ess&#234;ncia do marketing de influ&#234;ncia &#8211; conectar marcas a p&#250;blicos atrav&#233;s de vozes aut&#234;nticas e engajadas &#8211; sempre esteve presente na minha trajet&#243;ria. por&#233;m, oficialmente, entrei no marketing de influ&#234;ncia em 2018 e atuei em uma ag&#234;ncia especializada at&#233; 2022. hoje, continuo mentorando influenciadores, infoprodutores e profissionais que querem ter uma atua&#231;&#227;o digital mais relevante, ajudando-os a encontrar sua voz e a construir estrat&#233;gias eficazes e comunidades envolvidas.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!4Thi!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F53047959-14b2-4c6a-a879-8541d3627271_1365x1024.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">foucault, poesia, santaella, byung-chul han e tudo que couber no meu repert&#243;rio</figcaption></figure></div><p>fa&#231;o diagn&#243;sticos, sou especialista em repert&#243;rio e conte&#250;do. e essa expertise n&#227;o veio do nada. tenho uma forma&#231;&#227;o que vai da literatura a ci&#234;ncias sociais, semi&#243;tica, an&#225;lise do discurso, antropologia, hist&#243;ria. essa bagagem multidisciplinar me d&#225; uma vis&#227;o ampla e aprofundada, uma capacidade de conectar pontos e de entender as nuances da comunica&#231;&#227;o humana que eu compartilho para e com quem atua no meio digital. &#233; esse repert&#243;rio que me permite ir al&#233;m do &#243;bvio, desvendar tend&#234;ncias e construir narrativas que realmente ressoam.</p><p>estive nas discuss&#245;es iniciais sobre o marco civil da internet - em 2011 - um momento crucial para a regulamenta&#231;&#227;o e o futuro da rede no brasil, e continuo ativamente nessas conversas. essa participa&#231;&#227;o me deu uma perspectiva &#250;nica sobre os desafios e as responsabilidades que v&#234;m com a constru&#231;&#227;o e a manuten&#231;&#227;o de um ambiente digital saud&#225;vel e produtivo. &#233; por isso que, quando me perguntam sobre &#8220;passar tempo online&#8221;, eu respondo com a certeza de quem n&#227;o est&#225; apenas navegando, mas construindo, analisando e moldando a cultura digital. <strong>eu n&#227;o sou cronicamente online; eu sou digitalmente culta</strong>, e essa &#233; a minha profiss&#227;o, a minha paix&#227;o e o meu lugar no mundo.</p><p>era pra ser s&#243; um meme.<br>mas nunca &#233; s&#243; um meme.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#64 cultura digital, compliance e o peso da bio no instagram]]></title><description><![CDATA[comenta, catita, comenta #1]]></description><link>https://catita.substack.com/p/cultura-digital-compliance-e-o-peso</link><guid isPermaLink="false">https://catita.substack.com/p/cultura-digital-compliance-e-o-peso</guid><dc:creator><![CDATA[catita silva]]></dc:creator><pubDate>Mon, 22 Sep 2025 19:36:38 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!T-q2!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe254ff60-30b2-4c6f-bf7d-e4e467864b94_2048x1536.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>em 2012, fui contratada para construir a estrat&#233;gia de posicionamento digital de um dos maiores grupos de comunica&#231;&#227;o do sul do brasil, o <a href="https://www.linkedin.com/company/grupo-sinos/">grupo sinos</a>, a convite do <a href="https://www.linkedin.com/in/fernando-alberto-gusm%C3%A3o-9443272a/">fenaco</a>, CEO, e da <a href="https://www.linkedin.com/in/lumineiro/">lu mineiro</a>, gerente de produtos digitais. era um per&#237;odo efervescente, onde as redes sociais, na &#233;poca, facebook e twitter - instagram engatinhava -, se consolidavam como espa&#231;os p&#250;blicos poderosos, mas ainda sem um manual de instru&#231;&#245;es claro para empresas e indiv&#237;duos. tudo at&#233; ent&#227;o era muito intuitivo, o termo <strong>influenciador</strong> ainda n&#227;o era uma profiss&#227;o listada no <em>linkedin</em>, e a compreens&#227;o sobre o impacto da presen&#231;a digital era incipiente.</p><p>uma das minhas primeiras iniciativas na casa, inspirada em algo similar que estava sendo feito no <em>the new york times</em>, e em colabora&#231;&#227;o com o departamento de recursos humanos e a presid&#234;ncia da empresa, foi escrever uma cartilha de<strong> &#8220;boas pr&#225;ticas em redes sociais</strong>". a premissa era clara e, para a &#233;poca, bastante vision&#225;ria: <em>a reputa&#231;&#227;o da empresa n&#227;o era constru&#237;da apenas por seus editoriais, suas capas de jornal ou suas campanhas publicit&#225;rias. ela era moldada, tamb&#233;m, em cada post, em cada coment&#225;rio, em cada intera&#231;&#227;o de seus colaboradores</em>, tanto no ambiente profissional quanto em suas redes pessoais.</p><p>a partir do momento em que algu&#233;m se tornava parte da empresa, passava a ser, intencionalmente ou n&#227;o, um de seus representantes. a empresa entendia que, mesmo n&#227;o havendo uma inten&#231;&#227;o direta, qualquer posicionamento individual poderia respingar na reputa&#231;&#227;o da marca. o grupo sinos sempre prezou pelo discurso e o posicionamento da isen&#231;&#227;o jornal&#237;stica em seus ve&#237;culos, e essa postura era esperada tamb&#233;m de seus colaboradores. talvez, na &#233;poca, essa diretriz tenha tolhido manifesta&#231;&#245;es pessoais em um &#226;mbito que hoje j&#225; questionamos, mas era uma escolha consciente do grupo como ve&#237;culo de comunica&#231;&#227;o, como marca e como integrante da sociedade. portanto, leg&#237;tima.</p><p>a cartilha n&#227;o era apenas um documento burocr&#225;tico. ela era entregue a todo novo colaborador, que assinava seu recebimento, ao lado do manual de &#233;tica e conduta da empresa e outros documentos fundamentais para absorver e entender a cultura vigente. a partir de sua implementa&#231;&#227;o, realizei internamente tamb&#233;m algumas palestras para lideran&#231;as para falar sobre redes e seu impacto. acho importante refor&#231;ar aqui que <strong>essa iniciativa foi feita h&#225; 13 anos</strong>, por um ve&#237;culo no interior do rio grande do sul. portanto, <strong>em 2025, &#233; inadmiss&#237;vel que qualquer ve&#237;culo atue em grande escala de comunica&#231;&#227;o sem que isso seja uma quest&#227;o central desde o dia 1 de seus colaboradores.</strong></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!T-q2!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe254ff60-30b2-4c6f-bf7d-e4e467864b94_2048x1536.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!T-q2!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe254ff60-30b2-4c6f-bf7d-e4e467864b94_2048x1536.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!T-q2!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe254ff60-30b2-4c6f-bf7d-e4e467864b94_2048x1536.jpeg 848w, 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">uma catita jovenzinha conversando com lideran&#231;as dos produtos e ve&#237;culos da firma</figcaption></figure></div><blockquote><p>em 2025, &#233; inadmiss&#237;vel que um ve&#237;culo de comunica&#231;&#227;o em grande escala atue sem que isso seja uma quest&#227;o central desde o dia 1 de seus colaboradores.</p></blockquote><h3>o caso vogue brasil: a fogueira e a bruxa</h3><p>e aqui chegamos ao ponto que incendiou o debate na &#250;ltima semana: a demiss&#227;o de uma colaboradora da vogue brasil ap&#243;s um <em>""&#8220;repost infeliz""&#8220;</em> em suas redes pessoais. note as muitas aspas. o caso rapidamente escalou para uma ca&#231;a &#224;s bruxas, com tribunais digitais - capitaneados por indiv&#237;duos em defesa de seus interesses pol&#237;ticos - exigindo cabe&#231;as e posicionamentos cada vez mais enf&#225;ticos. a velocidade com que a informa&#231;&#227;o se espalha e a press&#227;o por uma resposta imediata transformam incidentes isolados em crises de reputa&#231;&#227;o de propor&#231;&#245;es gigantescas.</p><p><strong>mas o problema n&#227;o &#233; a bruxa. &#233; a fogueira.</strong></p><p>a a&#231;&#227;o mais f&#225;cil &#233; sempre a puni&#231;&#227;o individual. demitir, cancelar, apagar. &#233; o gesto que aplaca a f&#250;ria das redes, que serve de exemplo e que, muitas vezes, &#233; visto como a solu&#231;&#227;o mais r&#225;pida para "resolver" o problema. por&#233;m, n&#227;o &#233; individualmente sacrificando uma pessoa que vamos resolver de verdade essa quest&#227;o. a a&#231;&#227;o correta aqui seria formar uma equipe para a responsabilidade coletiva acerca do seu posicionamento. a demiss&#227;o, sem um trabalho pr&#233;vio de conscientiza&#231;&#227;o e alinhamento cultural, &#233; apenas <em>tapar o sol com a peneira</em>, uma medida paliativa e in&#243;cua que n&#227;o ataca a raiz do problema.</p><blockquote><p>porque, vamos combinar, n&#227;o existe n&#227;o se posicionar em 2025.</p></blockquote><h3>neutro &#233; s&#243; detergente</h3><p><strong>a neutralidade &#233; uma ilus&#227;o</strong>. em um mundo hiperconectado e polarizado, o sil&#234;ncio &#233;, por si s&#243;, um posicionamento. um ator que usa um broche no tapete vermelho est&#225; se posicionando. uma marca que escolhe patrocinar ou n&#227;o um evento est&#225; se posicionando. o sil&#234;ncio, muitas vezes, &#233; o posicionamento mais ensurdecedor. a quest&#227;o n&#227;o &#233; <em>se</em> vamos nos posicionar, mas <em>como</em> e com qual <strong>responsabilidade</strong>.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!x5-j!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F51e329ee-ca31-4687-9891-78ffc57c9d24_1242x828.webp" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!x5-j!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F51e329ee-ca31-4687-9891-78ffc57c9d24_1242x828.webp 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!x5-j!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F51e329ee-ca31-4687-9891-78ffc57c9d24_1242x828.webp 848w, 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">&#224;s vezes o posicionamento &#233; voc&#234; estar com um len&#231;o que j&#225; diz de que lado voc&#234; est&#225;</figcaption></figure></div><p><strong>o espelho intoxicado: hiper-realismo e a fragmenta&#231;&#227;o da identidade</strong></p><p>a hora que a <em>stylist</em> colocou o nome da revista na sua bio do instagram, ela vinculou sua identidade pessoal &#224; identidade da marca. sua liberdade de express&#227;o n&#227;o deixou de existir, mas ganhou uma nova camada de complexidade. ela se tornou uma vidra&#231;a, um espelho. e como nos lembra a poeta e cientista social <em>martha n&#233;lida ruiz</em> em um livro que eu amo para entender nossos tempos, <a href="https://amzn.to/4gyNMKy">el espejo intoxicado: hiperrealismo, hiperconsumo e hiperl&#243;gica en las sociedades posmodernas</a>, vivemos na era do <em>espelho intoxicado</em>. <em>ruiz</em> argumenta que vivemos em uma era onde a vida &#233; mediada por imagens, tecnologia e um consumo incessante, que nos leva a um estado de hiper-realismo &#8211; uma realidade mais real que o real, onde a representa&#231;&#227;o se sobrep&#245;e &#224; ess&#234;ncia. nesse contexto, a linha entre o "eu" pessoal e o "eu" profissional se desfaz, e a imagem que performamos online tem um peso real e imediato.</p><p>a obra de <em>ruiz</em> explora como a identidade se torna fluida e fragmentada, constantemente constru&#237;da e reconstru&#237;da atrav&#233;s das intera&#231;&#245;es digitais. o <em>espelho intoxicado</em> das redes sociais reflete uma vers&#227;o curada e muitas vezes distorcida de n&#243;s mesmos, onde a busca por valida&#231;&#227;o e o medo do cancelamento moldam a forma como nos apresentamos. a pr&#243;pria identidade se torna um produto, um ativo que precisa ser gerenciado com cuidado, especialmente quando atrelado a uma marca de grande visibilidade. a <em>stylist</em> da vogue, ao vincular seu nome &#224; empresa em sua bio, n&#227;o apenas se tornou uma vidra&#231;a, mas tamb&#233;m se inseriu nesse <em>espelho intoxicado</em>, onde sua imagem e suas opini&#245;es pessoais se tornaram indissoci&#225;veis da marca que representava, gerando consequ&#234;ncias muito concretas - e infelizes - para sua vida profissional.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!y0Tr!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc2168557-c7b6-4ffa-a9c6-c1835830b303_1387x1750.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">as grades de agnes martin parecem r&#237;gidas, mas foram feitas para conter emo&#231;&#245;es complexas. uma met&#225;fora para a persona online: uma estrutura que tenta, em v&#227;o, organizar a fluidez de quem somos.</figcaption></figure></div><blockquote><p>como as linhas de agnes martin, nossa identidade nas redes &#233; uma constru&#231;&#227;o delicada, onde pequenas imperfei&#231;&#245;es podem gerar grandes ru&#237;dos, revelando a fragilidade da nossa constru&#231;&#227;o digital.</p></blockquote><h3>aprofundando a discuss&#227;o: policrise e hipervigil&#226;ncia na era digital</h3><p>o que estamos vivendo n&#227;o &#233; uma s&#233;rie de crises isoladas, mas uma <strong>policrise</strong>, como define o fil&#243;sofo <em>edgar morin</em>. o conceito, que ele desenvolve desde os anos 70 e consolida em obras como <a href="https://amzn.to/4nd8Ngn">terra-p&#225;tria</a>, descreve a situa&#231;&#227;o em que m&#250;ltiplas crises (sociais, econ&#244;micas, ambientais, pol&#237;ticas, culturais) se interligam e se retroalimentam, criando um complexo de problemas incontrol&#225;veis. a crise n&#227;o &#233; mais uma sequ&#234;ncia de eventos pontuais, mas um estado permanente e interconectado, onde a resolu&#231;&#227;o de um problema pode, paradoxalmente, agravar outro. <strong>a press&#227;o sobre a funcion&#225;ria da vogue, a rea&#231;&#227;o da pr&#243;pria revista, a f&#250;ria p&#250;blica e o debate sobre liberdade de express&#227;o e responsabilidade corporativa s&#227;o todos sintomas desse estado de coisas, microcrises que se manifestam dentro de uma policrise maior de comunica&#231;&#227;o, &#233;tica e posicionamento na era digital</strong>. essa interconex&#227;o de problemas exige uma compreens&#227;o mais profunda e sist&#234;mica, que vai al&#233;m da an&#225;lise de eventos isolados.</p><p>nesse cen&#225;rio de <em>policrise</em>, a vida p&#250;blica e privada se fundem de maneira in&#233;dita, e somos constantemente submetidos a um regime de <strong>panoptismo digital</strong>. <em>michel foucault</em>, em sua an&#225;lise do <em>pan&#243;ptico</em>, descreveu uma estrutura de vigil&#226;ncia onde o detento, nunca sabendo se est&#225; sendo observado, internaliza a vigil&#226;ncia e passa a vigiar a si mesmo e o seu entorno constantemente. <strong>as redes sociais s&#227;o o nosso pan&#243;ptico digital. sabemos que cada post, cada like, cada story pode ser visto, printado, compartilhado e julgado.</strong> <strong>a visibilidade, que em um primeiro momento parece conferir poder e alcance, &#233; tamb&#233;m uma armadilha.</strong></p><p>a partir do momento em que um profissional vincula seu nome a uma marca, como a <em>stylist</em> da vogue fez, ele entra tamb&#233;m num estado de hipervigil&#226;ncia. suas redes sociais deixam de ser apenas um espa&#231;o pessoal e se tornam uma extens&#227;o da marca, sujeitas ao escrut&#237;nio p&#250;blico e corporativo. a frase de <em>foucault</em>, <em>"a visibilidade &#233; uma armadilha"</em>, nunca foi t&#227;o pertinente. a <em>persona</em> online, constru&#237;da com esmero, torna-se um alvo f&#225;cil para a cr&#237;tica e o cancelamento, especialmente quando h&#225; um desalinhamento entre a expectativa da marca e a express&#227;o individual. essa constante sensa&#231;&#227;o de estar sob o olhar alheio molda comportamentos e discursos, gerando uma autocensura que, paradoxalmente, pode levar a explos&#245;es de autenticidade mal calculadas.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">em "persona", bergman funde duas identidades em uma s&#243;. uma met&#225;fora visual perfeita para a linha t&#234;nue e porosa entre o nosso eu pessoal e a nossa persona profissional nas redes sociais.</figcaption></figure></div><blockquote><p>quem somos quando a m&#225;scara cai, ou quando as m&#225;scaras se misturam, sob o olhar constante do p&#250;blico?</p></blockquote><h3>a responsabilidade do posicionamento: da cultura ao compliance</h3><p>erroneamente, essa quest&#227;o &#233; atribu&#237;da diretamente a <em>compliance</em>, quando deveria ser, primeiro, uma quest&#227;o de <em>cultura</em> <em>e</em> <em>recursos humanos</em>. <strong>compliance &#233; consequ&#234;ncia disciplinar, mas ele s&#243; tem legitimidade se isso for bem trabalhado antes na cultura</strong>, para n&#227;o precisar ficar justamente nessa ca&#231;a &#224;s bruxas. a responsabilidade n&#227;o &#233; apenas individual, mas tamb&#233;m institucional. <strong>as empresas t&#234;m o dever de educar e alinhar seus colaboradores, criando um ambiente onde a liberdade de express&#227;o seja exercida com consci&#234;ncia das suas implica&#231;&#245;es. a aus&#234;ncia de diretrizes claras ou a falta de um di&#225;logo cont&#237;nuo sobre o tema transforma o compliance em uma ferramenta punitiva reativa, em vez de um pilar de uma cultura preventiva e &#233;tica.</strong> &#233; a diferen&#231;a entre remediar e prevenir, entre apagar inc&#234;ndios e construir uma base s&#243;lida.</p><p>aqui, deixa eu fazer uma pausa pra citar a advogada <em>renata sch&#246;p</em> (<a href="https://www.tiktok.com/@renataschop.compliance">@renataschop.compliance</a> no <em>tiktok</em>), que explica de forma did&#225;tica e leve quest&#245;es importantes de compliance, como "posicionamento em rede social &#233; pass&#237;vel de justa causa". a linha entre o pessoal e o profissional &#233; cada vez mais t&#234;nue, e o que se posta em um perfil supostamente "privado" pode ter repercuss&#245;es profissionais severas. <strong>a responsabilidade que se pede de um influenciador, que atinge muitas pessoas e influencia comportamento &#233; a mesma que se espera de quem trabalha em um ve&#237;culo de comunica&#231;&#227;o</strong>. a visibilidade traz consigo um peso, e a falta de consci&#234;ncia sobre esse peso pode ter custos alt&#237;ssimos, tanto para o indiv&#237;duo quanto para a marca.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" 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&#224;s expectativas de diferentes p&#250;blicos &#8211; amigos, fam&#237;lia, colegas de trabalho, empregadores e at&#233; mesmo desconhecidos. essa performance constante, gera uma press&#227;o imensa. a busca por valida&#231;&#227;o e o medo do cancelamento moldam a forma como nos apresentamos, criando uma vers&#227;o curada e muitas vezes distante da nossa realidade.</p><p>a nossa bio n&#227;o &#233; apenas um espa&#231;o para listar nossos interesses; &#233; um cart&#227;o de visitas, um manifesto, uma declara&#231;&#227;o de pertencimento. quando se adiciona o nome de uma empresa a ela, a bio deixa de ser "s&#243; sua&#8221; e passa a carregar o peso da reputa&#231;&#227;o de uma organiza&#231;&#227;o. <strong>a liberdade de express&#227;o &#233; um direito fundamental</strong>, mas sua manifesta&#231;&#227;o em plataformas p&#250;blicas, especialmente quando vinculada a uma marca, exige uma responsabilidade proporcional ao alcance e impacto. a visibilidade, nesse contexto, n&#227;o &#233; apenas um privil&#233;gio, mas uma responsabilidade que precisa ser compreendida e gerenciada.</p><h3>n&#227;o espere a fogueira para se preocupar com o fogo</h3><p>construir uma marca forte hoje vai muito al&#233;m de um bom produto ou de uma campanha de marketing genial. passa por entender que cada colaborador &#233; um n&#243; em uma rede muito maior de reputa&#231;&#227;o. n&#227;o se trata de tolher a express&#227;o, mas de embutir responsabilidade nela.</p><p>quer se expressar? expresse. mas banque as consequ&#234;ncias. e para as empresas, a mensagem &#233; ainda mais direta: n&#227;o espere a fogueira para se preocupar com o fogo. primeiro a reputa&#231;&#227;o da marca. cuidar disso antes do individual. porque se a marca est&#225; preocupada com a pr&#243;pria reputa&#231;&#227;o, ela precisa alinhar isso com qualquer colaborador, com qualquer pessoa dentro das suas engrenagens. n&#227;o adianta demitir se voc&#234; n&#227;o fez nenhum trabalho antes. a&#237; voc&#234; vai assinar o atestado de incompet&#234;ncia, que &#233; o que muita gente faz, a gente sabe.</p><p>cuidar da cultura digital e da estrat&#233;gia de posicionamento de uma marca &#233; um trabalho complexo, mas essencial. e ele come&#231;a muito antes da crise.</p><p>pergunte-me como.</p><div><hr></div><p><em>eu tamb&#233;m comentei brevemente o assunto no <a href="http://linktr.ee/pod_serpauta">POD SER PAUTA?</a>, podcast da minha querida <a href="https://www.instagram.com/crismoraes.pr/">cris moraes</a>, que discute semanalmente temas e assuntos contempor&#226;neos sobre o mundo da comunica&#231;&#227;o. <strong><a href="https://open.spotify.com/episode/1Kuj97DzLZfMR9cREaTU2R?si=d17be27b70434f27">ou&#231;a aqui!</a></strong></em></p>]]></content:encoded></item></channel></rss>